Um milhão de baianos, metade do contingente de analfabetos do estado, deverá aprender a ler e escrever até 2010. Esta é a meta proposta pelo programa especial de Alfabetização de jovens e adultos Todos pela Alfabetização (Topa), lançado pelo Governo do Estado nesta quarta-feira (9), no Centro de Convenções. Na ocasião, foram lançados também os programas federais Brasil Alfabetizado e Todos pela Educação (Tope), que dão início, no estado, ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), do Ministério da Educação.
O governador Jaques Wagner informou que o governo federal irá investir R$ 250 milhões na Bahia e o Governo do Estado vai aplicar outros R$ 70 milhões, totalizando, em três anos e meio, R$ 320 milhões. “O montante irá possibilitar a alfabetização de um milhão de pessoas em três anos e meio, um objetivo plenamente possível de ser alcançado”, garantiu. Ele espera que 100 mil pessoas deixem de ser analfabetas entre julho e dezembro de 2007 e mais 300 mil a cada ano entre 2008 e 2010. Wagner lembrou ainda que, embora a Bahia apresente números tão altos de analfabetos, é a terra de alfabetizadores como Cosme de Farias e Anísio Teixeira.
Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, é a primeira vez que o país tem um plano de metas de qualidade e não de quantidade para a educação. “Não se trata somente de matricular as pessoas na escola, mas de fazê-las aprender”, destacou. Ele observou ainda que o governo federal está abandonando a postura passiva de ficar esperando a presença, em Brasília, de governadores e prefeitos para que apresentem seus projetos. “Temos 80 consultores contratados pela Unesco que vão visitar os municípios mais pobres e elaborar planos de trabalho que serão financiados pela União”, explicou.
Haddad afirmou que a metodologia de aplicação do PDE inclui os professores da rede pública. “O modelo antigo não previa que o alfabetizador fosse um professor. Nós alteramos a lei e estamos convocando o professorado da rede pública para se engajar nesta tarefa. Eles serão remunerados com uma bolsa auxílio e vão receber capacitação. Esse casamento com a rede pública é o que vai garantir o sucesso dessa empreitada”, observou.
Para o ministro, o que o Brasil está recebendo é um plano sério de desenvolvimento da educação, com metas de qualidade, territorialidade, engajamento de mobilização da sociedade e campanha de mídia. O país está maduro para isso, já enfrentou vários desafios, estabeleceu o regime democrático, estabilizou sua economia, está se desenvolvendo, gerando empregos e está mais do que na hora da educação entrar na agenda definitiva deste país”, apontou.
Wagner reafirmou que os programas não são de responsabilidade somente dos governos federal ou estadual, mas é necessária a participação de toda a sociedade civil organizada. “Eu creio que o dia de hoje só vale a pena se cada um de nós sair daqui contaminado por este compromisso com a educação. Vamos ver o que é possível ser feito nas igrejas, nos terreiros, nos templos, nos clubes, como podemos nos reunir para superarmos estes índices”, destacou Wagner.
Segundo o secretário de educação, Adeum Sauer, o Topa precisa alcançar todos os municípios da Bahia, dos quais alguns chegam a ter mais da metade da população de analfabetos. “A Secretaria de Educação (SEC) espera que os municípios venham a aderir ao programa”, convocou. Para ele, a idéia de que a alfabetização se dá com o voluntarismo e com a militância política é um equívoco. “É importante também o conhecimento técnico. É necessário saber quem são os educandos e quais as suas aspirações”, explicou. Sauer afirmou que há uma teoria consolidada sobre o assunto e que será levada aos professores, para que seja possível a obtenção de bons resultados.
O programa contará com 6,6 mil professores e 330 coordenadores
O Topa vai atuar na formulação sistemática e permanentemente de políticas de educação de jovens e adultos com vistas à sua escolarização e inclusão social, seguindo os mesmos princípios que norteiam o projeto político-educacional do Estado. Para isso, serão realizados estudos e pesquisas, cursos de formação continuada de professores alfabetizadores, desenvolvimento de instrumentos e mecanismos de acompanhamento e avaliação, produção de material didático-pedagógico, dentre outras ações que assegurem a sua efetividade. O programa contará com 6,6 mil professores e 330 coordenadores. Para isso, a SEC está firmando parcerias com empresas públicas e privadas, com os movimentos sociais, as universidades, as prefeituras municipais e com o Governo Federal.
Complementando o Topa, o Governo da Bahia lançou ainda o Prêmio Cosme de Farias, que vai reconhecer as prefeituras baianas que mais reduzirem os índices de analfabetismo, de acordo com os critérios estabelecidos pelo programa. O prêmio leva o nome de um grande baluarte das causas populares, sobretudo no combate ao analfabetismo. Em 1892, com 14 anos, no início da República do Brasil, Cosme de Farias criou a Campanha do ABC, distribuindo milhares de cartilhas. Em 1915, com seu idealismo, criou a Liga Contra o Analfabetismo. Nunca foi rico, mas criou e manteve durante mais de 60 anos quase 200 escolas onde alfabetizava jovens e adultos.
Índices baianos motivaram o lançamento do programa no estado
A escolha da Bahia para o lançamento dos programas federais foi motivada por ser o estado que contém, no Brasil, o maior número absoluto de adultos analfabetos, cerca de dois milhões. O montante representa 18,8% da população baiana acima dos 15 anos, segundo dados do IBGE, e corresponde a quase o dobro da taxa nacional, aproximando-se da taxa da Região Nordeste, que é de 21,9%. A taxa de analfabetismo na zona rural é uma das mais altas do país (31,6%). Quando analisadas as taxas de analfabetismo funcional, a Bahia praticamente dobra a média geral, indo para 35,6%, sendo que no campo a taxa sobe para 55,6%.
“A Bahia foi escolhida para iniciarmos nossa caravana da educação porque está com indicadores críticos de qualidade tanto na educação básica como na alfabetização de jovens e adultos”, declarou o ministro da Educação, Fernando Haddad. Ele disse que todos os estados da federação serão visitados. “Mas vai ser simbólica a nossa passagem inicial pela Bahia, devido à sua representatividade, pela necessidade que o estado tem de um apoio técnico financeiro da União e pelas parcerias que podem ser estabelecidas a partir de agora”, afirmou.
Estado quer alfabetizar 1 milhão de baianos até 2010
16/09/2007