No povoado Fazenda Cachoeirinha, próximo ao município de Boa Nova, o lavrador Joaquim Inácio Pereira, 36 anos e pai de sete filhos, deixará para trás os dias em que levava uma hora para apanhar água no ribeirão para armazenar em casa. “Ou fazia isso ou ficava esperando o carro-pipa aparecer, pois sem água não dá para viver”, conta ele. Sua sina chegou ao fim hoje (16), com a inauguração, pelo Governo do Estado, do sistema de abastecimento de água que vai beneficiar 5.100 habitantes de 19 povoados. A obra foi inaugurada na localidade de Penachinho, distrito do município de Boa Nova, na região sudoeste da Bahia.
O investimento total no sistema, que conta com 73 quilômetros de adutora, 346 ligações domiciliares e 16,8 quilômetros de redes de distribuição, foi de R$ 4,4 milhões. Entre as localidades beneficiadas, estão os povoados de Bezerros, Cupido, Fazenda Brejo da Onça, Fazenda Cachoeirinha, Fazenda Pau Ferro, Fazenda Paulista, Gameleira, Lagoa da Anta, Lagoa da Pedra, Madalena, Mato Grosso, Penachinho, Baixão, Boa Vista de Baixo, Boa Vista de Cima, Entroncamento e São João. O governador Jaques Wagner esteve presente no local e destacou que a oferta de água de qualidade, fundamental para a boa saúde das pessoas, é uma das metas prioritárias de seu programa de governo.
“Além de oferecer água para beber, tomar banho, lavar e cozinhar, esta obra busca elevar a qualidade de vida da população local e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município de Boa Nova”, ressaltou o governador, ao lembrar que o IDH da cidade é um dos mais baixos do estado.
A comerciante Anália Meira Filha, 43 anos, comemorou a chegada da água encanada. Moradora de Penachinho há cinco anos, ela estava acostumada a comprar seis mil litros de água a cada três meses para abastecer o tanque de sua casa e usá-la para tomar banho, lavar e cozinhar. Para beber, também comprava água mineral no mercado. “A água é uma reivindicação antiga da comunidade. Minha maior satisfação vai ser abrir a torneira e ver a água caindo”, comemorou ela, que mora com o marido e os dois filhos. “A gente não podia nem plantar nada aqui porque não havia como regar depois”, completou dona Anália.
Tudo também deverá mudar para o casal Alexandre Alves dos Santos, 62 anos, e sua esposa Cilene Meira Santos, proprietários de um bar em Penachinho. Para as atividades domésticas, eles sempre contaram com a água que vinha do carro-pipa. Às vezes, porém, não restava alternativa a não ser a água salobra do poço artesiano, como relata seu Alexandre. “Nos dias em que não havia nada para beber, tínhamos que nos contentar com a água salobra mesmo, pois não havia jeito”. Já dona Cilene conta que, quando faltava água, a solução era pedir emprestada aos vizinhos. “Mas a partir de agora, com a inauguração do sistema, esperamos contar com a água tratada sempre que precisarmos”, disse ela.