Cinquenta sargentos e soldados da Polícia Militar participam de uma capacitação em questões étnico-raciais, cidadania, segurança e combate à violência. As aulas integram o projeto Garra, Cidadania e Raça, idealizado pelo Núcleo de Religiões de Matriz Africana (Nafro). A instituição, criada no âmbito da PM, visa proteger e manter as tradições das religiões de matriz africana, defendendo-as contra ações de intolerância religiosa e lutando contra o preconceito.
Nesta semana, os alunos estão tendo contato com as culturas afro-brasileiras, que compõem o segundo módulo do curso, apresentado pela historiadora e doutora da Secretaria da Cultura, Vanda Machado. As aulas prosseguem até amanhã (18), com encerramento a partir das 14h, na Associação Educativa e Cultural Didá, no Pelourinho.
Vanda Machado explica que o encerramento deste módulo na sede da Didá tem como objetivo mostrar, o potencial criativo de crianças negras que vivem no Pelourinho e bairros próximos, muitas delas vítimas da violência policial. “A idéia é que o policial militar possa refletir sobre as suas ações e também sobre aspectos do pensamento africano, compreendendo melhor a cultura afro-brasileira”, afirma.
Um dos objetivos do projeto é habilitar os policiais militares para o combate à violência nas atividades rotineiras, a exemplo das festas populares e do Carnaval. De acordo com o coordenador geral do projeto, major Paulo Peixoto, o curso foi oferecido no ano passado a 50 mulheres e, este ano, está sendo direcionado a 50 homens que integram a Polícia Militar. “O Nafro tem a função religiosa, mas também tem esse lado social de intermediar o contato com a comunidade negra e a PM”, explica.