Os moradores da Liberdade, em Salvador, estão economizando na compra de produtos de higiene, limpeza e alimentação com a reinauguração, hoje (17), da Cesta do Povo no Largo do Japão. Além de abastecer o segundo bairro mais populoso da capital, a loja da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), fechada desde 2001, está, também, atraindo freguesia para outros estabelecimentos locais.
“Todos nós estamos felizes, o movimento caiu mais da metade quando a loja parou de funcionar. Ela traz clientes e estimula o comércio em toda a região”, afirmou a vendedora de ervas Lícia Mendes, 45 anos, moradora nascida no bairro.
O eletricista e encanador Antônio Carlos Costa, 66 anos, disse que não gosta nem de lembrar de quando a Cesta do Povo foi fechada. “Os moradores da Liberdade sempre contaram com a loja, que vende os produtos mais em conta”, elogiou Costa, que vive na Liberdade desde 1945.
Ele disse ainda que a Feira do Japão, realizada nas ruas vizinhas ao estabelecimento, atrai comerciantes de municípios como Santo Amaro, Santo Antônio de Jesus e Candeias, que vão vender peças de artesanatos e outros produtos. “Eles também vão ser beneficiados, pois poderão comprar aqui na Cesta e levar para casa”, afirmou.
Já a costureira Ivonildes Nunes, 47 anos, mora no bairro desde os dois e disse que costumava comprar cereais, leite, macarrão e óleo no local. “Com o fechamento (em 2001), precisava pegar ônibus para comprar mais barato em lugares distantes, mas com a Cesta, os mercadinhos daqui vão reduzir os preços para fazer concorrência”, comemorou. Outro ponto positivo apontado por ela é a segurança. “A região estava muito perigosa e o policiamento agora vai ser mais constante e bem feito, por causa da loja”, relacionou.
Balanço
Após dois meses de atividades suspensas para reabastecimento e reestruturação, a reinauguração simbólica das primeiras 184 lojas da Cesta do Povo foi realizada no mês passado, no Ogunjá. O presidente da Ebal, Reub Celestino, disse que a empresa atendeu, nestas seis semanas de funcionamento, 1,6 milhão de pessoas e que o faturamento alcançado com a venda de 215 itens chegou aos R$ 26 milhões. “O dinheiro é investido na reposição de estoque e no pagamento dos custos operacionais” apontou. Para o seu funcionamento, a rede da Ebal conta com três mil funcionários, 1,6 mil trabalhando nas lojas. Ele informou que as unidades mais movimentadas são as do Ogunjá, Rio Vermelho e Camaçari.
Com o objetivo de facilitar a vida do consumidor, a Cesta terá farmácias populares em algumas lojas e disponibilizará postos credenciados de instituições financeiras, que permitirão, entre outros serviços, o pagamento de contas. Além disso, o Cartão Credicesta, que permite ao servidor público do Estado comprar de forma consignada, com desconto em folha de pagamento, será mantido.
Celestino lembrou ainda que a empresa celebrou um convênio, na última segunda-feira (14), com a Cooperativa Pecuária de Feira de Santana (Cooperfeira), que irá fornecer o produto para a rede, e em breve fará parceria com uma associação de produtores de laticínios.
Ele disse que essa é uma junção da política de governo, de dar oportunidade para o escoamento do trabalho de pequenos produtores, à política da Ebal, de distribuir produtos de boa qualidade e com preços mais baratos. “É um caminho para chegarmos à agricultura familiar. Essas entidades garantem o fornecimento para o nosso estoque e nós garantimos a venda dos seus produtos”,
Inaugurado em 1979 pela Ebal, o programa Cesta do Povo tem como missão garantir à população de menor poder aquisitivo, a preços baixos, acesso a alimentos e produtos de higiene e limpeza de qualidade. A previsão é que a Ebal conte, até agosto, com 375 lojas, atendendo a 356 municípios baianos.
Para garantir o abastecimento destas lojas, a empresa conta com cinco Centrais de Distribuição (Ceasas) situadas nos municípios de Salvador, Feira de Santana, Senhor do Bonfim, Vitória da Conquista e Buerarema.