O programa de melhoria do transporte hidroviário da Bahia foi apresentado e amplamente discutido em Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, durante audiência pública promovida pela Associação Comercial, Clube de Diretores Lojistas e setor hoteleiro. Representando o secretário de Infra-Estrutura, Antonio Carlos Batista Neves, o diretor-executivo da Agerba, Antonio Lomanto Netto, disse existir o compromisso e a determinação do Governo do Estado para promover a melhoria dos serviços oferecidos a baianos e turistas no sistema ferry-boat e na travessia Salvador-Mar Grande.
“O transporte é o principal indutor do processo de desenvolvimento e a Ilha de Itaparica, que tem um grande potencial turístico, não pode continuar à margem desse processo”, disse Lomanto Neto. Segundo ele, a falta de um programa voltado para o desenvolvimento da ilha e melhoria do sistema de transporte marítimo e local, após a criação da Linha Verde, prejudicou a região.
A precariedade do sistema ferry-boat foi o tema mais debatido na audiência, quando o diretor da Agerba lembrou que, no início da atual gestão, o Governo do Estado adotou uma série de medidas emergenciais junto à operadora TWB. Na época, o serviço tinha apenas três embarcações em funcionamento.
Por determinação do secretário de Infra-Estrutura, Antonio Carlos Batista Neves, foi exigida a colocação em operação de todos os seis ferries, além da adoção de um sistema de manutenção em regime de 24 horas. “Exigimos também a melhoria dos serviços de limpeza e higiene dos terminais e navios, o cumprimento rigoroso de horários e o funcionamento da área de manutenção, também em regime de 24 horas, em períodos de grande demanda, como aconteceu no Carnaval e na Semana Santa”, assinalou.
Resultados
Lomanto Netto disse ainda que os resultados das medidas emergenciais para o ferry-boat já foram sentidos, de acordo com duas pesquisas de opinião realizadas com os usuários. As sondagens mostraram que 45% dos usuários do ferry sentiram que houve mudanças em relação a dezembro de 2006, enquanto 19% não identificaram nada de novo.
O foco da Agerba, segundo ele, é nos pontos negativos das pesquisas, que são um instrumento de gestão. “Tudo que se fez até aqui é ainda muito pouco do que se pretende fazer. O sistema vai melhorar muito até o final do ano, quando o primeiro de dois modernos ferries será incorporado à frota da TWB”.
Os dois navios, que exigirão investimentos de R$ 60 milhões provenientes do Fundo Nacional da Marinha Mercante e aporte financeiro do Banco do Nordeste do Brasil, terão estrutura de alumínio, serão mais velozes (14 nós contra 9 dos ferries atuais) e capacidade para transportar 80 veículos e 600 passageiros cada um, ou seja, quase o dobro dos navios que operam atualmente no sistema.
Podendo fazer a travessia Salvador-Bom Despacho em 30 ou 35 minutos, as novas embarcações vão representar quase a capacidade total da frota atual do sistema. Estes recursos estão sendo financiados pela TWB.
Durante a audiência pública, que reuniu representantes de diversos segmentos, a presidente da Associação Comercial de Vera Cruz, Lenise Ferreira, fez várias críticas e sugeriu medidas visando a melhoria do transporte hidroviário. Lenise disse que “o abandono da Ilha” pelos governos anteriores nos últimos 15 anos resultou em prejuízos sem precedentes para a população e para o comércio. “Pela primeira vez um diretor da Agerba discutiu frente a frente com a nossa comunidade os problemas do ferry-boat e do transporte de passageiros na Ilha”, assinalou.
Entre as sugestões feitas, ela apontou o pagamento de meia passagem para estudantes que moram na Ilha e que estudam em Salvador, o incentivo ao transporte de caminhões em horários nortunos do ferry e com desconto de tarifa, melhoria no acesso dos idosos nos terminais e embarcações, participação de representantes da Ilha nas discussões sobre tarifas, prioridade para as ambulâncias e redução do intervalo entre um horário e outro dos ferries.