O cruzamento de ovinos de raças naturalizadas com animais de raças de origem africana e européia está produzindo animais mais resistentes e aptos para exploração comercial na região semi-árida do estado. Esta constatação é da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola S.A. (EBDA), que vem atuando em pesquisa de raças melhoradas e assistência técnica a produtores familiares que têm nessa atividade sua principal fonte de renda.
Com pesquisas específicas para a ovinocultura nas Estações Experimentais de Jaguaquara e Caraíbas – essa última localizada no município de Jaguarari –, a empresa vem desenvolvendo, há mais de 15 anos, trabalhos de preservação das raças Rabo-Largo e Morada-Nova (deslanada) – que são raças naturalizadas ou nativas –, e o cruzamento dessas com outras raças ovinas, a exemplo da Santa Inês e da Dopper.
Segundo o diretor de Pecuária da EBDA, Osvaldo Sant’Anna, em visita à Estação de Jaguaquara, na semana passada, os cruzamentos industriais (com objetivo de produção comercial) permitem a junção das características das raças nativas, mais rústicas e resistentes, às das raças européias e africanas, mais aptas para produção de carne e leite.
“Os trabalhos da empresa buscam qualidade aliando características de produtividade e rusticidade em um mesmo animal, considerando ainda as condições edafoclimáticas do nosso estado”, explicou Osvaldo Sant’Anna.
Dentre as diversas atividades desenvolvidas pela pesquisa, nas estações experimentais, destacam-se as de preservação das raças naturalizadas, cruzamentos industriais e introdução de espécies gramíneas, com materiais oriundos do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), e do Instituto de Zootecnia de Nova Odessa, em São Paulo.
O uso de homeopatia no controle de parasitoses, manejos alimentar e sanitário do rebanho, preservação ambiental (respeitando as plantas nativas, nascentes de rios e matas ciliares) e treinamentos e cursos para produtores familiares também são atividades em destaque nas estações.
Outra linha de pesquisa é a de produção de derivados de leite e de embutidos, tais como queijo e iogurtes, pernis e lingüiça calabresa, dentre outros, para transferência de tecnologia para a produção familiar e industrial, como forma de agregação de valor ao produto.
Os produtores também são orientados para o aproveitamento correto das peles, de forma garantir a valorização dessas no mercado de couro, para produção de sapatos, bolsas e cintos, além de outros derivados. Nas duas estações estão instalados Centros de Treinamentos equipados com alojamentos e salas de aula, onde são ministrados cursos, capacitação de mão-de-obra e profissionalização de técnicos e produtores, em caprinovinocultura.