Grupo de Repressão aos Crimes de Extermínio tem efetivo policial reforçado

16/09/2007

Funcionando nas dependências do Complexo Policial dos Barris desde a última semana, o Grupo Especial de Repressão aos Crimes de Extermínio (Gerce) passou a integrar o Departamento de Crimes Contra a Vida (DCCV) e teve o efetivo reforçado, contando, a partir de agora, com 18 policiais civis – três delegados, três escrivães e 12 agentes – sob o comando da delegada Marta Nunes, diretora do DCCV. A Portaria, transferindo a coordenação do Gerce, assinada pelo delegado chefe João Laranjeira, foi publicada no Diário Oficial do Estado.


Antes da incorporação ao DCCV, o Gerce era formado por 15 servidores policiais e, até a gestão passada, estava subordinado à Polinter (Coordenação de Polícia Interestadual), apesar dos grupos de extermínio desarticulados na Bahia não terem ramificações com organizações criminosas de outros estados. João Laranjeira avalia que a transferência para um departamento especializado em investigar delitos contra a vida vai otimizar o gerenciamento do Gerce que, segundo ele, terá condições mais favoráveis de atuação, repercutindo na eficácia de suas ações.


Com finalidade de apurar multihomicídios praticados por grupos de extermínio, o Gerce dispõe agora de seis salas, onde concentra toda a sua operacionalização: investigação de crimes com características de extermínio, interrogatório dos acusados e formalização de inquéritos. Nesta nova sede, o delegado chefe pretende ainda disponibilizar um espaço para acomodar representantes do Ministério Público e da Defensoria Pública, interessados em acompanhar o trabalho realizado pelo Gerce.


Por medida de segurança, as testemunhas de crimes de extermínio estão sendo ouvidas na sede do Departamento de Crimes Contra a Vida, no edifício-sede da Polícia Civil, na Praça da Piedade, evitando-se qualquer proximidade com pessoas custodiadas nas unidades policiais do Complexo dos Barris. Denúncias sobre a presença dessas organizações criminosas na comunidade também devem ser encaminhadas à equipe da delegada Marta Nunes, no DCCV.


Desarticulação


Criado em 2004, o Gerce já desarticulou 20 grupos de extermínio. Havia expedido, até o ano passado, 228 mandados de prisão, 172 dos quais cumpridos, e apreendido em poder dos criminosos 59 armas de fogo, 16 quilos de droga, além de 23 veículos. A mais recente desarticulação aconteceu em março deste ano, no bairro de Pirajá, com a captura de sete homens envolvidos em vários homicídios e com o tráfico de drogas. Eles integravam o bando do traficante João Teixeira Leal (Jão), que está foragido.


A maioria dos homicídios praticados pelo grupo de extermínio comandado por João Teixeira Leal foi motivada por disputa de ponto de tráfico e por dívidas de drogas. A Polícia já identificou vítimas de, pelo menos, sete assassinatos, tendo conseguido junto à Justiça a expedição de 15 mandados de prisão contra integrantes da quadrilha que, além de Pirajá, atuava em Marechal Rondon e na área do Parque São Bartolomeu.