A segurança na Bahia obteve um grande avanço com a implantação do Sistema de Identificação Criminal, inaugurado hoje (6), no Instituto de Identificação Pedro Melo (IIPM), na Avenida Centenário. A ferramenta é baseada em biometria, com tecnologia do Sistema Automatizado de Identificação por Impressões Digitais (Afis), que permite a realização de identificação criminal dos indiciados utilizando a comparação das impressões digitais com as hospedadas no cadastro do Departamento de Polícia Técnica (DPT), e o armazenamento das mesmas no banco de dados centralizado em Brasília.
Com o novo sistema, orçado em aproximadamente US$ 1 bilhão – financiados pelo Banco Expansión Exterior –, a Bahia torna-se pioneira na execução da identificação criminal com integração direta com o Afis Nacional do Departamento de Polícia Federal (DPF).
Além da rapidez, precisão e facilidade em identificar uma pessoa pela impressão digital, através do cruzamento de informações num universo de milhões de dados, o sistema automatizado faz a identificação por fragmentos digitais. “Isso seria impossível pelo modo manual convencional. A nova tecnologia vetoriza as minúcias de impressão digital e será fundamental para as polícias federal e técnica trabalhar com mais segurança”, ressaltou a diretora-geral do IIPM, Iracilda Maria Conceição.
Com o sistema, serão coletados dados cadastrais, impresões digitais e fotografia dos indiciados, fazendo a pesquisa na base de dados do DPF. No banco de dados do Afis Nacional estão inseridas impressões digitais de indiciados de vários estados. Iracilda Conceição disse também que as impressões digitais já passarão a ser coletadas de forma automatizada em Salvador. No interior do estado, inicialmente as fichas com as impressões digitais serão escaneadas para o sistema.
“A busca dos dados para identificação dos indiciados é iniciada pelo arquivo local. Caso não seja encontrada nenhuma informação, o sistema automaticamente faz um link com o banco de dados da polícia federal”, explicou a diretora do IIPM.
Projeto de reestruturação
A meta do DPT é de que, daqui a dois anos, todo o arquivo civil, e não apenas o criminal, passe a ser operado pelo sistema automatizado, segundo o diretor-geral do órgão, Raul Barreto. “Essa extensão do sistema vai ajudar bastante na identificação de corpos, por exemplo”, destacou. A implantação do Sistema de Identificação Criminal engloba um amplo projeto de reestruturação pelo qual vem passando o DPT desde 2003, que inclui também reforma do espaço físico, organização das fichas de identificação e aquisição de arquivos eletroeletrônicos, entre outros equipamentos.
O Afis é utilizado por diversos organismos policiais e agências de identificação do mundo. A versão do sistema foi instalada no Brasil em 2004. De última geração, a ferramenta foi elaborada especialmente para o DPF, e é utilizada principalmente na identificação de pessoas com antecedentes criminais, de estrangeiros residentes no país e na agilização e montagem de processos. “Esse novo sistema representa o que há de mais moderno no mundo em termos de identificação criminal”, festejou o secretário da Segurança Pública, Paulo Bezerra.
A meta do governo federal é instalar essa tecnologia em todas as unidades do país, tornando um sistema criminal único que receberá informações e identificará os criminosos indiciados pela Polícia Federal, pelas Secretarias de Segurança Pública dos estados e Distrito Federal ou mesmo processados pela Justiça Federal.
Será possível compartilhar informações on-line (tempo real) entre os órgãos de Segurança e Justiça do país, na identificação de criminosos procurados e presos, além da criação de um banco nacional de fragmentos encontrados em locais de crimes.