Benefícios do tratamento da esquizofrenia com medicamentos pertencentes ao Programa de Alto Custo (Pmac) é o título do trabalho científico a ser apresentado pela farmacêutica do Hospital Juliano Moreira, Solange de Oliveira Santana Filha, no Congresso Nacional de Farmácia Hospitalar, que acontece em Goiânia (Go), de amanhã (7) a domingo (10).
A profissional esteve, na manhã de hoje (6), no gabinete da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab), mostrando seu trabalho ao secretário da Saúde, Jorge Solla. Para ela, foi muito importante ter o trabalho selecionado e mostrar ao país como está sendo feito o tratamento de pacientes portadores de esquizofrenia na rede de saúde pública.
Para o estudo, realizado no ano passado, Solange Santana pesquisou 200 pacientes usuários de medicação de dispensação excepcional. Na pesquisa, ela identificou que 77 já haviam sido internados uma vez; 121 já tinham histórico de internações sucessivas ao longo de até 20 anos, alguns com até 15 internações, e dois voltaram a ser internados após o uso da medicação.
“Todos eles, após o tratamento utilizando a medicação específica, não necessitaram mais de internação. Apenas dois, porque são casos extremamente graves, depois de utilizarem os remédios, tiveram surto e foram internados novamente”, explicou a farmacêutica.
O objetivo do estudo foi apresentar a importância do tratamento ambulatorial da esquizofrenia refratária com o uso de medicamentos excepcionais, e o seu impacto sobre a não-internação dos pacientes. “A esquizofrenia é uma doença que atinge o ser humano em sua fase mais produtiva, que vai dos 19 aos 45 anos. É uma doença de fundo hereditário e o tratamento também depende muito da saúde familiar”.
Para a farmacêutica, os dados apresentados em seu trabalho permitem concluir que programas dessa natureza geram benefícios em diversos âmbitos da saúde mental, além da evidente economia do ponto de vista financeiro, evitando internações e reagudizações de quadros de difícil estabilização, sempre custosas ao Estado, sem falar na redução de danos do ponto de vista sócio-familiar para os contemplados.
“Sabemos que freqüentes internamentos têm evolução desfavorável, que levam o paciente à desinserção social e perda de sua capacidade laborativa. Assim, compreende-se a relevância do PMAC no âmbito da saúde. Por tudo isso, é de extrema importância que não falte medicação para esses pacientes”, finalizou a profissional.
O Programa Estadual de Medicamentos de Alto Custo foi implantado na Sesab em 1998, inicialmente para pacientes renais crônicos e transplantados. Em seguida, foi ampliado para atender às especialidades de endocrinologia e metabologia, esquizofrenia, hematologia, fibrose cístose e hepatologia, além de outras especialidades.