Associações comunitárias da área de Caboto e adjacências, em Candeias, representantes de municípios do Recôncavo e de empresas instaladas na região, pretendem encaminhar solicitação ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) para que a Semana do Meio Ambiente se torne um evento fixo no calendário de programações do Museu do Recôncavo Wanderley Pinho. A idéia surgiu depois que mais de 800 pessoas compareceram ao museu para participar das comemorações pela passagem do Dia Mundial do Meio Ambiente, na terça-feira (5).
A programação da Semana do Meio Ambiente no Wanderley de Pinho teve, durante três dias seguidos, palestras sobre educação sanitária e ambiental, sobre a história dos engenhos na Bahia, coleta seletiva de lixo, além de caminhadas ecológicas, gincanas, visitas dirigidas, jogos educativos para crianças e adolescentes, entre outras atividades.
A promoção do evento ficou a cargo da Diretoria de Museus (Dimus) do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), autarquia da Secretaria estadual de Cultura, responsável pela administração do museu. Participaram ainda cerca de 20 outros parceiros entre órgãos e secretarias estaduais, prefeituras municipais e grandes empresas instaladas em Candeias e região.
De acordo com a diretora do Wanderley Pinho, Maria de Fátima Santos, esperava-se a participação de moradores de todas as localidades vizinhas ao museu, mas a freqüência ultrapassou em mais 400% do público esperado. “As pessoas não paravam de chegar, de ônibus, de barco e carros, trazendo seus filhos e parentes, além de alunos de diversas escolas e representantes municipais”, relatou Fátima Santos.
Para a diretora de Museus do Ipac, Ana Liberato, esse trabalho demonstra como o público baiano responde às iniciativas que estimulam a visitação aos museus estaduais. “Nós pretendemos manter sempre essas atividades porque a comunidade participa, utiliza e usufrui o bem público que é o museu”, disse Liberato.
“Esse trabalho com as crianças não deixa que nossa história se perca, pois além da natureza, esse museu é também nosso patrimônio, como a capela que guarda a tradição de nossos antepassados e é importante que os jovens saibam disso”, destacou Ernandes Costa, pescador aposentado e residente da Ilha de Maré, também presente no evento.
Localizado em região com remanescentes de Mata Atlântica, integrando a Área de Proteção Ambiental (APA) da Baía de Todos os Santos e ocupando área total com mais de 1,6 milhão de metros quadrados, o complexo museológico e ambiental do Wanderley Pinho, guarda expressivas relíquias dos tempos áureos da produção do açúcar no Brasil. O conjunto é composto por um casarão do século XVIII, com 55 cômodos, uma capela consagrada a Nossa Senhora da Conceição e as bases de um antigo engenho de cana.