Economia solidária baiana tem destaque no Nordeste

16/09/2007

Exemplo de empreendimento popular bem sucedido, a Coopercapoeira – que faz parte do pólo de Capoeira de Lauro de Freitas – empolgou os participantes na abertura do seminário Economia Solidária: Caminhos e Desafios para uma Política Pública Estadual, realizado na manhã de hoje (6), com a Orquestra de Berimbau. A apresentação do Hino Nacional e de algumas músicas do ritual dos capoeiristas, sob a regência do maestro Fred Dantas, emocionou um dos principais expositores do evento, o secretário nacional de Economia Solidária, professor Paul Singer.


Um dos objetivos do encontro – realizado no auditório da Secretaria de Infra-Estrutura - foi tornar pública a criação, na reforma administrativa do governo Jaques Wagner, da Superintendência de Economia Solidária (Sesol), que faz parte da estrutura da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) e representou o reconhecimento à importância do segmento no estado. De acordo com o secretário do Trabalho, Nilton Vasconcelos, no censo de 2005 foram mapeados mais de mil empreendimentos solidários na Bahia, um número expressivo.


Em nome do governo federal, o professor Paul Singer disse que quase metade dos empreendimentos de economia solidária do país está no Nordeste, conforme o censo, e a Bahia figura como o maior número. Ao falar sobre Política Nacional de Economia Solidária, ele pontuou que, tanto em nível nacional quanto nos estados e municípios, a política para o segmento é pautada pela realidade social.


“Cabe a nós, acadêmicos, teorizar, porque nossas políticas públicas precisam ter base científica. A economia solidária é composta por pequenas revoluções que homens e mulheres trabalhadores realizam em suas vidas”, disse. A importância dessa atuação em rede foi ilustrada com o exemplo da Justa Trama, uma cadeia produtiva solidária do algodão agroecológico. A atividade envolve desde o cultivo de algodão orgânico no Nordeste até a área de confecção no Sul do País.


De acordo com Singer, a Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes) está com 560 agentes de Desenvolvimento Local em todos os estados, contribuindo nesse processo revolucionário. Fundador de uma incubadora tecnológica de cooperativa popular na Universidade de São Paulo, Singer afirmou que essa realidade emocionante traduz a emancipação individual e coletiva dos empreendedores solidários.


Ente novo


Nilton Vasconcelos lembrou que a ação da Setre no setor se dá ao lado do movimento de economia solidária, que é vivo, dinâmico e apresenta sugestões para a elaboração das políticas públicas. Ele disse que a Superintendência de Economia Solidária é um ente novo no Estado e compõe um espaço específico, pois a política anterior da Setre era mais voltada para a qualificação profissional e intermediação do trabalho.


O superintendente de Economia Solidária, Helbeth Oliva, falou sobre Ações Prioritárias da Sesol em 2007. De acordo com ele, a Sesol é o marco institucional da economia solidária na Bahia, e agora “é preciso fazer acontecer o marco jurídico no Brasil e no Estado”. Ele também divulgou as ações prioritárias da Sesol, que consistem de centros públicos e incubadoras públicas de economia solidária, expansão do microcrédito e arranjos locais de desenvolvimento.


À tarde as atividades do seminário começaram com a apresentação do Coral formado por funcionários da Setre e da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes), regido pelo maestro Magno Aguiar. Em seguida, começou o Ciclo de Palestras Caminhos e Desafios para uma Política Estadual de Economia Solidária, com a participação de vários expositores, entre eles, Joaquim de Mello Neto, coordenador do Banco Palmas, falando sobre experiência desenvolvida em Fortaleza, Ceará.


Além de Paul Singer, Nilton Vasconcelos e o Helbeth Oliva, fizeram parte da mesa na solenidade de abertura o secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Juliano Matos; o superintendente do Sebrae na Bahia, Edval Passos; o secretário Municipal de Economia, Emprego e Renda; Paulo Mascarenhas, representando o prefeito João Henrique; e a representante do Fórum Baiano de Economia Solidária, Magda Almeida.