Serviço psicológico do Ciave para pacientes suicidas é apresentado em congresso

16/09/2007

Inédita no país, a experiência do Centro de Informações Antiveneno (Ciave), da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), que disponibiliza acompanhamento psicológico ambulatorial contínuo a pacientes com comportamento suicida, foi apresentada durante o II Congresso Brasileiro de Toxicologia Clínica, encerrado neste final de semana, em Vitória, Espírito Santo. O encontro, com o tema central Toxicologia clínica: uma Prática Interdisciplinar, contou com a participação de diversos profissionais do Ciave, que apresentaram trabalhos e representaram o serviço em mesas-redondas, cursos pré-congresso e painéis.


Durante o evento, realizado em paralelo ao I Congresso da Associação Brasileira de Centros de Informação e Assistência Toxicológica e Toxicologistas Clínicos, a psicanalista Soraya Carvalho Rigo, do Ciave, participou de mesa-redonda sobre o tema Avaliação e tratamento do paciente com comportamento suicida, destacando a importância da assistência psicológica ambulatorial para pacientes que tentaram suicídio.


“A continuidade do acompanhamento após o atendimento emergencial tem resultado numa taxa inferior a 0,1% na reincidência de tentativas de suicídio”, explicou a psicanalista. O Ciave é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um centro de excelência em toxicologia no país. Segundo serviço de toxicologia do Brasil a integrar o Sistema Nacional de Informações Toxicológicas, o centro é responsável pelo fornecimento de informações toxicológicas para a Bahia e outros estados do Nordeste.


Além disso, oferece orientação, diagnóstico e terapêutica de pacientes intoxicados, realiza análises toxicológicas de urgência, identifica animais peçonhentos e plantas venenosas, faz controle e manutenção de bancos de antídotos e sua distribui na rede estadual de saúde, além de participar da Comissão de Clínica e Terapêutica do Programa Nacional de Acidentes por Animais Peçonhentos da Fundação Nacional de Saúde.


No ano passado, o serviço atendeu um total de 6.550 pacientes intoxicados, através de orientação e atendimento toxicológico. Foram contabilizadas também 4.490 orientações telefônicas e 998 atendimentos de urgência a pacientes nas unidades do Hospital Roberto Santos, além de 735 consultas de acompanhamento psicológico. Também no ano passado, o Ciave identificou 186 animais peçonhentos e plantas tóxicas para auxílio diagnóstico de acidentes e distribuiu 4.503 unidades de antídotos específicos e 29.775 ampolas de soros antipeçonhentos.


Estudos


A diretora do Ciave, a toxicologista Dayse Schwab Rodrigues, foi representada nos congressos pelos veterinários do órgão. A veterinária Maria das Graças Barbosa apresentou trabalho sobre casos comprovados de acidentes laquéticos no estado da Bahia. O toxicologista Gustavo Mustafá Tanajura ministrou curso pré-congresso sobre envenenamentos por animais peçonhentos. Já a veterinária Yasmaia Figueredo também apresentou estudo sobre casos de intoxicação por deltametrina em dois filhotes de “Boa Constrictor”.


Também apresentaram trabalhos o farmacêutico Juscelino Nery Filho, que falou sobre ocorrências envolvendo medicamentos – perfil dos casos registrados pelo Ciave/Ba no período de 2000 a 2006, e sobre uso de psicofármacos em tentativas de suicídio registradas no Ciave de 2004 a 2006. A bióloga Sônia Helena dos Santos apresentou trabalho sobre óbitos por ofidismo ocorridos no estado da Bahia e a psicanalista Soraya Rigo mostrou as especificidades de uma clínica psicanalítica nas tentativas de suicídio e a prevalência das tentativas de suicídio na Bahia no período de janeiro de 1977 a dezembro de 2006.