O governador Jaques Wagner classificou de “delírio” as informações que circulam na imprensa dando conta de que ele teria pedido a prisão do presidente do Sindicato dos Professores da Rede Pública de Ensino (APLB/Sindicato), Rui Oliveira. Wagner afirmou não ter a menor idéia de onde surgiu a informação, assinalando que e a notícia não tem o menor cabimento. “Jamais teria uma atitude dessa natureza. Sou um democrata e um convicto defensor do direito do contraditório“, ressaltou o governador.
Wagner considerou a possibilidade absurda e impossível de se pensar num governo democrático, especialmente para um que tem como governador um ex-sindicalista. Apesar de assegurar não ter sequer pensado em pedir a prisão do presidente da APLB/Sindicato, o governador avaliou como equivocada a estratégia da categoria em decidir pela greve no meio das negociações. “Entendo que houve precipitação. Falo como uma pessoa que tem origem no movimento sindical. Os professores entraram em greve na hora errada e agora estão com dificuldades para sair dela”, disse, ressaltando que o governo baiano ofereceu o maior reajuste linear do país.
A greve dos professores, que já entrou no seu 35º dia, foi considerada pelo governador como prejudicial à sociedade, especialmente para os milhares de estudantes que estão sem aulas. Apesar disso, o governador Jaques Wagner acenou para a retomada do diálogo. “Minha sugestão é que a categoria volte à mesa de negociação. Para isso, no entanto, é preciso que retomem as aulas. Estou oferecendo, mais uma vez, uma saída para acabar com essa greve. Essa, com certeza, é a melhor saída”, aconselhou.
O reajuste concedido aos servidores públicos varia de 4,5% a 17,28%, sendo que 105 mil trabalhadores serão beneficiados com o percentual maior. O reajuste escalonado foi a opção do governo para reduzir as distorções salariais encontrada no quadro de servidores estaduais. Grande parte dos servidores da máquina estadual, incluindo aí 15 mil professores, ganhava salários abaixo do mínimo. A decisão de conceder aumento diferenciado busca beneficiar a maioria, equiparando os vencimentos ao salário mínimo de R$ 380. “Até novembro, nenhum servidor do estado receberá salário inferior ao mínimo”, assegurou o governador, lembrando que os percentuais estão acima da inflação.
No entendimento de Wagner, pedir que o governo ofereça um reajuste maior é “pedir para eu ser irresponsável, e isso não posso ser porque tenho que administrar para todos, não apenas para uma categoria”. Wagner disse que a retomada das aulas é fator essencial para a retomada das negociações, lembrando que, como outras categorias, os professores poderão discutir as questões específicas nas mesas setoriais que buscam acabar com as distorções encontradas no quadro de servidores do estado. “O sindicato faz o que acredita e eu continuo fazendo o que acredito”, finalizou o governador, apelando para o bom senso dos professores.