A Paisagem Urbana e o Homem – Memórias de Feira de Santana é o título do livro do escritor Eurico Alves Boaventura, que será lançado na próxima quarta-feira (20), às 20h, no Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), em Feira de Santana. Trata-se do primeiro trabalho pela Uefs Editora, pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs)
O livro também será lançado em Salvador, no dia 27, às 18 horas, na Academia de Letras da Bahia (ALB). A iniciativa é da própria Academia e da Uefs, através do Centro Universitário de Cultura e Arte. “Não conheço nenhuma narrativa que possa prestar-se tão bem para descrever a Feira de outrora como estes textos de Eurico, marcados por uma relação intensa de contemporaneidade com o vivido historicamente”, disse Maria Eugênia Boaventura, filha do escritor.
Com introdução, pesquisa, organização e notas de Maria Eugênia, a publicação possui 266 páginas contendo, além dos textos, fotos de época. O projeto gráfico e capa são de Frederico Jayme Nasser, com posfácio de Juraci Dórea, artista plástico feirense. Dórea lembra que Eurico Alves foi um dos participantes da Arco & Flexa, revista liderada pelo crítico Carlos Chiacchio e que circulou em Salvador, no final dos anos 20, contribuindo para a introdução do ideário modernista na Bahia.
Como define o professor Aleilton Fonseca, que integra a ALB, o livro “é um rico painel do pensamento de Eurico Alves sobre Feira de Santana de seu tempo, suas impressões sobre aspectos da cultura, da paisagem, da história e dos costumes feirenses”. Conforme salienta, o autor trata estes temas “com a sensibilidade de poeta, a exatidão do observador crítico e a ternura de quem ama sua terra e sua gente”.
Os textos são apresentados em seis blocos, conforme a afinidade temática: Festas Religiosas, onde ele descreve a festa de Senhora Santana com toda a pompa e esplendor que merecia a padroeira; A Feira de Ontem; Cartas da Serra; Propostas de História; Desenho de Sertão e Paisagens Pessoais.
Bacharel em Direito, Eurico Alves Boaventura fez carreira na magistratura. Foi um dos principais poetas do grupo modernista baiano. Um homem singular, na visão de José Maria Nunes Marques, ex-reitor da Uefs, “de temperamento difícil”. “Mas o difícil, aquilo que o crítico ocasional não entendia, era o sinal da sua grandeza como homem e como poeta”. Eurico Alves deixou muitos textos inéditos, alguns deles publicados postumamente, como Fidalgos e Vaqueiros, pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), em 1989, e Poesia pela Fundação Cultural do Estado da Bahia, em 1991.