Hemoba busca fidelização de doadores de sangue

16/09/2007

Na Bahia, apenas 1% da população é doadora de sangue. O índice ideal, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é de 3 a 5%. Para incentivar a doação e conquistar doadores permanentes a Fundação Hemoba recebeu hoje (14), Dia Mundial do Doador de Sangue, na sede da unidade, na Vasco da Gama, os artistas do Circo Beto Carreiro World. Palhaços, motociclistas e malabaristas ajudaram no trabalho de conscientização.


O governador Jaques Wagner foi ao Hemoba fazer sua doação e destacou a preocupação do governo com o déficit de sangue no estado e a meta de interiorização da rede de hemocentros. “A Bahia é muito grande, ter essa concentração de coleta na capital é ruim. Recentemente, inauguramos em Senhor do Bonfim um hemocentro e a intenção é espalhar outros centros de coleta por todas as regiões da Bahia”, afirmou Wagner.


O projeto de expansão da rede de hemocentros está em desenvolvimento junto com o plano plurianual da Secretaria da Saúde (Sesab). Contudo, algumas ações estão sendo executadas como a ativação da unidade de coleta e transfusão de sangue de Juazeiro, que assim como a que foi inaugurada em Senhor do Bonfim já possui estrutura física e alguns equipamentos, mas nunca funcionou.


O município de Cruz das Almas também conta um equipamento nas mesmas condições e que deve passar a funcionar em breve. Jacobina deve ganhar um. E a unidade de Eunápolis, que funciona sob gestão municipal passará a ser gerido pelo Estado. “A intenção é viabilizar uma rede de hemocentros com unidades em todos os pólos regionais. Os centros que estão entrando em funcionamento têm capacidade para atender todos os municípios de sua microrregião”, disse o secretário Jorge Solla.


Na capital, o plano é levar as centrais de coletas para os bairros populosos. Isso inclui a criação de um centro ao lado do Hospital Santo Antônio, a reativação do posto da Estação de transbordo do Iguatemi e a instalação de unidades em Paripe e no Pau Miúdo.


A Fundação Hemoba é responsável pelo fornecimento de sangue para mais de 40 instituições públicas de saúde. A descentralização vai facilitar o atendimento e garantir o fornecimento de sangue de qualidade para os pacientes. A fundação procura a fidelização dos doadores. Para a diretora de Hemoterapia, Maria Conceição Coelho, o ideal para reduzir o déficit de sangue é conquistando doadores permanentes, pessoas que após o período de descanso retornem para uma nova doação.


Esse é o caso do funcionário público Carlos Fernando Ladeira de 51 anos. Ele foi doar sangue a primeira vez para um parente. Ao tomar conhecimento da dificuldade do Hemoba em abastecer os hospitais do Estado ele passou a ser doador permanente. “Sou doador há 28 anos. A cada três meses eu venho aqui fazer a minha parte. Não custa nada fazer o bem”, disse.


A locutora Milena Santos, 22 anos, esteve na Hemoba hoje pela segunda vez. A primeira doação foi espontânea, dessa vez ela foi atender ao pedido de uma família conhecida. “Acho importante doar e tenho a intenção de vir sempre não só quando alguém conhecido precisar”, declarou. Seu marido, o radialista Jackson Mendes, 31 anos, alega falta de tempo. “Nem sempre posso vir aqui. Mas sempre que posso fazer uma doação, eu venho. Às vezes a gente doa e sem saber pode estar ajudando um parente, um amigo”.


A conscientização e captação de novos doadores é facilitada por campanhas e promoções. Os artistas do Circo Beto Carrero World, que há dez anos adotaram a doação de sangue como causa social, conseguiram levar dezenas de expectadores para o Hemoba. “Ao chamar a atenção de uma criança você mobiliza os pais, os amigos e ainda conquista um futuro doador”, disse a diretora de Hemoterapia. A expectativa era que ontem o número de doações chegasse a pelo menos 250.


O pessoal do circo passou a defender a doação de sangue após um acidente com um palhaço em Fortaleza, no Ceará. “Ele precisou fazer diversas cirurgias e não podia por falta de sangue. Saímos às ruas pedindo à população para doar. Desde então, fazemos esse trabalho em todas as cidades que chegamos”, disse o diretor de Marketing do circo, Sérgio Robattini. O circo que está instalado na Avenida Paralela inicia sua temporada amanhã e deve permanecer na cidade até o final de julho.


A doação dura em média 15 minutos e é realizada com materiais descartáveis, sendo totalmente segura. Cada doador fornece sangue para até quatro pessoas. No Hemocentro, a doação pode ser agendada através do call center 0800 71 0900, número que também pode ser usado para se obter mais informações.


Os homens devem aguardar dois meses para fazer uma nova doação e as mulheres três. Para doar sangue, o candidato precisa estar em boas condições de saúde; ter entre 18 e 65 anos; pesar mais de 50 quilos, estar bem alimentado, ter dormido, no mínimo, seis horas e não ter ingerido gorduras.


Os doadores da capital devem se dirigir ao Hemocentro Salvador, na sede da Hemoba (Av. Vasco da Gama), ou ao posto de coleta instalado no Hospital Santo Antônio, no bairro do Uruguai. De acordo com a coordenadora de coleta, Virgínia Figueiredo, o hemocentro está sempre trabalhando em déficit. “O ideal é que coletemos 250 bolsas por dia, mas não conseguimos ultrapassar a faixa entre 150 e 160 bolsas diárias”, disse.