Pescadores e marisqueiros são beneficiados no Baixo Sul

16/09/2007

Verdadeiro paraíso ecológico, com belíssimas praias e arrecifes, com uma grande variedade de frutos do mar, a baía de Camamu é também um espaço de contrastes. De um lado, a possibilidade de um maior retorno econômico para os que vivem da pesca e artesanato na região. Do outro, o elevado índice de pobreza, desigualdade social, a falta de incentivo às raízes culturais das aldeias de pescadores e às atividades produtivas da região.


Pensando nisso, a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), através do seu escritório em Camamu, vem incentivando a pesca na região, prestando assistência técnica, capacitando, e elaborando planos de créditos para 600 famílias de pescadores e marisqueiros artesanais.


Só este ano, as famílias organizadas em três associações e três colônias de pesca (Maraú, Igrapiúna e Camamu), foram beneficiadas com créditos de R$ 900 mil, para a compra de materiais e equipamentos necessários a suas atividades. Com isso 1.500 novos empregos foram gerados.


“O que presenciamos na região é o fortalecimento da pesca artesanal, como atividade geradora de ocupação e de renda para as famílias”, disse a chefe de escritório da EBDA em Camamu, Ana Cristina Santos, destacando os trabalhos da empresa que contribuem para o crescimento da pesca. “A EBDA vem ministrando cursos de capacitação visando melhorar o padrão tecnológico das atividades dos pescadores e possibilitar o aumento de renda das famílias”, afirmou.


Temas como filetamento de peixe, processamento e beneficiamento de pescado, salga seca e úmida, congelamento, defumação, embutidos, embalagem, higiene e comercialização são abordados pelos técnicos em cursos de 40 horas semanais.


De acordo com Ana Cristina “com os recursos adquiridos, assistência técnica continuada e capacitação, a expectativa é que essas famílias saiam da linha de pobreza e tenham uma renda familiar acima de R$ 3 mil/ano”, disse. Os técnicos da EBDA ainda orientam na regularização dos documentos dos pescadores e marisqueiras, promovendo o exercício da cidadania na região. Todo o trabalho é realizado em parceria com as colônias de pesca, com o Banco do Nordeste e o Programa de Financiamento da Agricultura Familiar (Pronaf).


Terceira maior


Localizada entre Salvador e Ilhéus, a Baía de Camamu é a terceira maior da costa brasileira, menor apenas que a vizinha Baía de Todos os Santos e a de Guanabara. Mesmo com a chegada do turismo e de indústrias à região, Camamu ainda tem em seus extensos manguezais a principal fonte de sustento de muitas famílias, que não abandonaram a pesca artesanal praticada por seus antepassados.


As famílias que vivem da pesca trabalham juntas, em um número reduzido de canoas. Geralmente saem para pescar cinco pessoas em uma canoa (um integrante de cada família), com resultados precários. A esperança dessas famílias é comprar a própria canoa e seus equipamentos, para aumentar a produção e a renda familiar.