A relação entre a gestão das águas e os recursos pesqueiros é o tema da próxima palestra da série de debates Diálogo das Águas, promovida pela Superintendência de Recursos Hídricos (SRH) no próximo dia 29, às 15h, no Auditório Paulo Jackson, na sede da autarquia, no Itaigara.
Desta vez, quem vem a Salvador é o analista ambiental e engenheiro de pesca Clemeson José Pinheiro da Silva, coordenador de Ordenamento Pesqueiro do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ele é pós-graduado em Planejamento Agro-Urbano pela Universidade Federal Rural de Pernambuco e especialista em Reprodução de Peixes Tropicais (Canadá) e em Planejamento Aqüícola (México).
Clemeson José abrirá o debate sobre a exploração que é feita acima da capacidade de renovação dos recursos pesqueiros no país, o que provoca a diminuição da quantidade da produção de pescado no Brasil e até o risco iminente de desaparecimento de espécies.
O engenheiro de pesca citou algumas espécies já ameaçadas de extinção, como o peixe ornamental “Zebra” e algumas espécies de cações, de água doce. Outras estão em nível de colapso, ou seja, podem entrar na lista dos ameaçados de extinção, a exemplo do Tambaqui, na região Norte e algumas espécies de Surubim, no Rio São Francisco.
Uma das razões apontadas pelo especialista para o problema é que a gestão dos recursos hídricos no país geralmente não leva em consideração a condição dos recursos pesqueiros na questão do uso, já que a pesca é uma atividade econômica importante. “Para que os recursos pesqueiros tenham condições de sustentabilidade, tem de haver água com qualidade e quantidade”, afirma.
Ele acrescenta que a preservação dos recursos pesqueiros deve considerar os aspectos ambiental, social e econômico. “O ajuste desses três componentes é o grande desafio. Se levar em conta só o ambiental, há conseqüências graves no econômico e no social. Se levar em conta o econômico e o social, vai ter conseqüências no fator ambiental possivelmente irreversíveis”.
Para compreender como isso funciona na prática, ele citou a construção de barragens. “Quando se constrói uma barragem, se altera a dinâmica do rio, ou seja, o fluxo da água interfere no ambiente natural da espécie. Com isso, a espécie fica impedida de se reproduzir, muitas vezes não tem disponibilidade de alimento, e isso faz com que a oferta diminua. A gestão dos recursos hídricos deve levar em conta os recursos pesqueiros em todos os seus aspectos”. Nesse contexto, ressalta, o Ibama tem buscado participação ampla da sociedade no modelo de gestão compartilhada.
O Diálogo das Águas é uma série de debates que acontece sempre na última sexta-feira do mês, às 15h, no auditório da SRH, no Itaigara. Com a temática geral Água, Sociedade e Ambiente, os debates trazem renomados pesquisadores e cientistas brasileiros que atuam na área de meio ambiente e recursos hídricos. Para participar, é preciso fazer a inscrição, gratuitamente, pelo telefone: (71) 3116-3009 ou pelo mail cerimonial@srh.ba.gov.br.