“O Cadastro Único do Bolsa Família é um retrato da desigualdade social. O nosso papel é enfrentá-la”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, Valmir Assunção, no Encontro Estadual do programa, realizado, hoje (3), no Centro de Convenções da Bahia. O evento reuniu aproximadamente dois mil representantes de 317 municípios, entre prefeitos, secretários municipais da Assistência Social, de Educação, Saúde e gestores do Programa Bolsa Família (PBF).
O objetivo do encontro foi afinar as estratégias de gestão do programa com as esferas federal e municipal. Para discutir o assunto, a Sedes, responsável pelo programa no estado, reuniu representantes do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Caixa Econômica Federal (CEF), secretarias estaduais da Saúde (Sesab) e da Educação (SEC).
“Um evento desse porte, para nós, do ministério, mostra que a Bahia entendeu, de fato, o funcionamento da gestão do programa e o cadastro como instrumento de política”, disse a coordenadora geral de Condicionalidades do Bolsa Família do MDS, Carolina Busch.
De acordo com Assunção, o aprimoramento da gestão do programa servirá para a execução mais adequada e eficiente do conjunto de políticas do governo do estado. “O ciclo da pobreza só pode ser rompido com ações integradas”, completa o secretário estadual de Educação, Adeum Sauer.
Valmir Assunção conclamou a sociedade civil a fiscalizar a gestão do programa e o cumprimento das condições pelas prefeituras e pelas famílias beneficiadas, como garantir que as crianças tenham freqüência escolar mínima 85% e cartão de vacinação em dia. As gestantes e nutrizes devem fazer acompanhamento médico. O município tem a responsabilidade de monitorar o cumprimento desses critérios e informá-lo ao MDS.
“O governo Wagner está conseguindo praticar o discurso da intersetorialidade. As equipes técnicas do estado estão promovendo e produzindo políticas de inclusão social em cada localidade”, afirma o superintendente de Atenção Integral à Saúde da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab), Alfredo Boa Sorte. Ele informou que em seis meses de gestão, houve um crescimento em 10% do acompanhamento nutricional das crianças inscritas no programa.
Pioneirismo
A atualização da base de dados do Cadastro Único (CadÚnico) do Bolsa Família, que está sendo realizada pela Sedes, conta com ações pioneiras, como inclusão diferenciada de indígenas e quilombolas. Em setembro, 185 municípios baianos que têm comunidades quilombolas e povos indígenas em seus territórios, participaram do primeiro seminário de capacitação para a aplicação do CadÚnico. A iniciativa conta com a parceria da Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi) e da Fundação Palmares.
Por meio da atualização, o governo do estado poderá ampliar a cobertura do serviço de transferência de renda para os povos tradicionais e emancipar os que já dependem do Bolsa Família. O programa é responsável pelo repasse mensal de R$ 112 milhões pelo governo federal aos municípios da Bahia, onde mais de 1,4 milhão de famílias precisam de transferência de renda para sobreviver.
Encontro discute estratégias de gestão do Bolsa Família
03/10/2007