Movimento Negro será parceiro do governo nas políticas de segurança

03/10/2007

Representantes do Movimento Negro vão participar, oficialmente, da elaboração de políticas públicas na área de segurança pública. A decisão foi tomada, hoje (3), pelo governador Jaques Wagner, ao receber, ontem, uma comissão de lideranças de entidades envolvidas com a questão da promoção da igualdade racial. O secretário da pasta, Luiz Alberto Oliveira, também participou do encontro, na Governadoria.

Segundo Luiz Alberto, uma das primeiras medidas previstas será a promoção de um seminário, no início do próximo ano, para discutir a segurança pública e o racismo praticado historicamente por alguns segmentos da polícia, na abordagem aos negros. O caso envolvendo o músico Agnaldo Silva, o Guiguio, do bloco afro Ilê Aiyê, foi citado pelos representantes das entidades na reunião. No mês passado, o músico acusou um sargerto da PM de tê-lo discriminado e agredido sem maiores motivos, durante uma operação no bairro do Nordeste de Amaralina.

O governador apresentou os avanços obtidos no trabalho de conscientização de alguns segmentos da polícia. Foram listadas algumas ações realizadas pela Secretaria de Segurança Pública e pelos comandos das polícias Civil e Militar para vencer as estatísticas históricas que revelam a violência em Salvador, atingindo, principalmente, os jovens negros entre 17 e 24 anos, inclusive com casos praticados por alguns policiais.

“O governo está empenhado em estabelecer uma parceria com as entidades representativas do movimento negro e com a sociedade em geral para discutir políticas públicas na área de segurança, bem como a construção de uma polícia cidadã, seguindo o exemplo dado pela maioria da corporação”, disse Luiz Alberto. Ele informou que o assunto vem sendo tratado em reuniões mensais com os secretários de Segurança Pública, Paulo Bezerra, e da Justiça e Direitos Humanos, Marília Muricy.

Para Walmir França, representante do Fórum das Entidades Negras, o encontro com o governador foi muito positivo. “Apresentamos os casos, o governador ficou de mandar apurar e ainda nos abriu o diálogo para a discussão de políticas públicas, permitindo ao Movimento Negro contribuir com o desenvolvimento de ações para evitar práticas discriminatórias”, disse. O presidente do Ilê Aiyê, Antônio Carlos dos Santos “Vovô”, também participou da audiência.