Representantes do trade turístico, empresários das áreas de entretenimento e lazer, Movimento Negro e dirigentes de órgãos públicos de turismo divulgaram, hoje (10), a “Carta da Bahia”, endereçada ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, pedindo a reformulação da Resolução 6, para liberar a saída e chegada de vôos regulares e charters diretos do aeroporto de Congonhas (SP) para cidades distantes até 1.500 quilômetros.
A “Carta da Bahia” é assinada por 20 entidades e foi elaborada após uma reunião convocada pelo secretário estadual do Turismo, Domingos Leonelli. O documento reconhece a necessidade da reestruturação da malha aérea brasileira, bem como o novo planejamento aeroportuário para o Brasil, mas ressalva que a Bahia não pode ser a principal vítima de uma crise que não gerou.
“A Bahia é o terceiro destino turístico do Brasil, graças a grandes investimentos na infra-estrutura e na promoção turística realizada com os esforços e os recursos do povo baiano. O que atestam os seus três grandes aeroportos (Salvador, Ilhéus e Porto Seguro), dois dos quais internacionais”, diz um trecho da carta.
A fixação do limite de mil quilômetros de distância para decolagens e pousos no aeroporto de Congonhas penaliza diretamente a Bahia, reduzindo em cerca de 45 mil passageiros/mês, devido ao cancelamento de aproximadamente 390 vôos diretos/mês. Nos casos de Ilhéus e Porto Seguro compromete a própria sobrevivência dessas cidades e regiões como pólos turísticos e pólo industrial de informática, no caso de Ilhéus.
Leia a íntegra da carta.
CARTA DA BAHIA
Excelentíssimo Senhor
Dr. Nelson Jobim
Digníssimo Ministro da Defesa
Brasília-DF
Senhor Ministro,
Reconhecendo a necessidade da reestruturação da malha aérea brasileira, bem como o novo planejamento aeroportuário para o Brasil, a Bahia não pode, no entanto, ser a principal vítima de uma crise que o nosso estado não gerou.
A Bahia é o terceiro destino turístico do Brasil, graças a grandes investimentos na infra-estrutura e na promoção turística realizada com os esforços e os recursos do povo baiano. O que atestam os seus três grandes aeroportos (Salvador, Ilhéus e Porto Seguro), dois dos quais internacionais.
A par disso, vale observar que, paralelamente, os prejuízos incidem de forma direta e contundente na economia do estado e, por conseqüência, do país, na conta da redução drástica do movimento de passageiros originários do turismo de negócios e de eventos, bem assim do transporte de cargas.
Nunca é demasiado lembrar o quanto esses segmentos estão comprometidos com o crescimento da economia, na medida em que Salvador se situa como a 3ª cidade do país em população, o terceiro destino para o já mencionado turismo de eventos, nacionais e internacionais (com reconhecimento da própria ICCA - instituição internacional do setor), tanto quanto o turismo de negócios.
De referência, inclusive, ao turismo de negócios, bom que se registre ser o estado da Bahia contemplado com o único Pólo Petroquímico do Norte Nordeste do país, região que comporta ainda a maior fábrica da Ford fora dos Estados Unidos e toda sua cadeia produtiva, além de uma movimentação comercial própria de um estado que representa cerca de 40% do PIB da região Nordeste.
Dimensão que pode ser mensurada nos 100 (cem) congressos assegurados somente para este ano, dos quais 25 internacionais, ao lado dos mais de 200 já agendados para os próximos anos.
Não obstante a todos os indicadores citados, somos obrigados a mencionar os investimentos nacionais e internacionais, ingresso de divisas ao país, traduzidos em um montante superior a 1 bilhão de dólares de um total de 3,1 bilhões de dólares a serem destinados ao turismo de lazer nas regiões da Baia de Todos os Santos, Linha Verde, Itacaré, Trancoso, na capital Salvador, dentre outras regiões.
No que concerne à movimentação de carga, estima-se a perda de um movimento médio de 45 toneladas/mês, na exportação e a mesma quantidade na importação de produtos e insumos básicos para a movimentação da economia da Bahia.
Outras particularidades que poderíamos citar é que a implementação das novas diretrizes da malha aérea nacional afetará drasticamente o transporte regular de vacinas e órgãos para transplantes, assim como o atendimento a pacientes enfermos que são transportados através de macas nas aeronaves, pois muitas dessas ocorrências são obrigatoriamente realizadas na capital paulista, tendo como única opção o transporte aéreo.
Por ser a Bahia o 3° destino de passageiros no Brasil, a fixação do limite de 1.000 quilômetros de distância para decolagens e pousos no aeroporto de Congonhas penaliza diretamente o nosso estado reduzindo em cerca de 45 mil passageiros/mês, devido ao cancelamento de aproximadamente 390 vôos diretos/mês. Nos casos de Ilhéus e Porto Seguro compromete a própria sobrevivência dessas cidades e regiões como pólos turísticos e pólo industrial de informática no caso de Ilhéus.
São essa as reflexões que nos permitem, respeitosamente, postular a reformulação da Resolução 6, no sentido de liberar a saída e chegada de vôos regulares e charters diretos de/para o aeroporto de Congonhas para cidades distantes até 1.500 quilômetros.
Entendemos que esta medida é fundamental para a continuidade do desenvolvimento da economia do nosso estado.
Conhecedores da vossa sensibilidade, estamos convictos do atendimento à esta solicitação e nos colocamos à disposição para envio de maiores dados e esclarecimentos que ilustrem da melhor forma nossa justa reivindicação.
Salvador, 10 de outubro de 2007
Assinam: (conforme lista de presença de reunião realizada no dia 05 de outubro p.p, em Salvador, sobre a reformulação da malha aérea brasileira)
1) Conselho Baiano de Turismo - CBTUR
2) Associação Brasileira das Agências de Viagem – ABAV
3) Sindicato das Empresas de Turismo – SINDETUR
4) Associação Brasileira da Industria de Hotéis – ABIH
5) Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Salvador – SHRBS
6) Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo – ABRAJET
7) Associação Brasileira das Empresas Organizadoras de Eventos – ABEOC
8) Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis – ABLA
9) Sindicato das Empresas Locadoras de Veículos - SINDLOC
10) Sindicato dos Guias de Turismo da Bahia – SINGTUR
11) Associação Brasileira de Bares e Restaurantes – ABRASEL
12) Salvador da Bahia Convention & Visitors Bureau – SBCB
13) Central do Carnaval
14) Cluster de Entretenimento
15) Associação de Agencias de Receptivo – ABRE
16) Empresa de Turismo de Salvador – EMTURSA
17) Instituto de Hospitalidade – IH
18) SEBARE
20) Fórum de Entidades negras
Trade turístico divulga carta encaminhada ao ministro da Defesa
10/10/2007