Quatro protótipos de processamento de amêndoas e de fabricação de chocolates estão sendo avaliados pela Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri) com o propósito de incentivar a produção de derivados e subprodutos do cacau na região Sul da Bahia. Equipamentos desenvolvidos por empresários, técnicos e pesquisadores que poderão ser usados para o beneficiamento do cacau por pequenos e médios produtores foram apresentados hoje (8) no auditório da Seagri.
Os equipamentos e sua tecnologia servirão de base para a elaboração de um programa de aquisição tecnológica pela Seagri. “Além das moageiras, já existentes, as processadoras e fábricas de chocolate e derivados possibilitarão a criação de mercados para produtos diferenciados, gerando trabalho e renda”, declarou o superintendente de Desenvolvimento Agropecuário da Seagri, Wilton Cunha. Ainda segundo ele, a expectativa é de que esses equipamentos sejam rapidamente implantados nas unidades produtivas, atendendo, sobretudo, ao pequeno e médio produtor.
Depois de consolidada a técnica de clonagem e do trabalho contínuo de diversificação da cultura do cacau, o Governo do Estado quer gerar, adaptar e difundir tecnologias. “A idéia é que, a partir do novo programa da Seagri, se consiga uma linha de crédito com os agentes financeiros para a compra de equipamentos e o desenvolvimento da agroindústria”, declarou o diretor geral da Seagri, Itazil Benício dos Santos. As ações estão previstas no plano de diversificação regional, o PAC do Cacau.
A iniciativa motivou o pequeno produtor do município de Gandu presente à reunião, Jafete Almeida Santos, representante da cooperativa agrícola local. Ele cultiva de maneira consorciada o cacau com a banana. “Precisamos de incentivos como esse. Já temos um galpão e fornecemos as amêndoas de cacau para multinacionais da região. Com o beneficiamento do fruto, o retorno é garantido”.
De acordo com o professor da Uesc Dário Ahnert, especialista em genética e melhoramento vegetal, o lucro com o beneficiamento da amêndoa pode chegar a 100% para o produtor. “Existe mercado ilimitado para produção de cacau orgânico ou fino e as condições são as melhores possíveis”, considerou o pesquisador, que também é presidente do Instituto Cabruca de Ilhéus.
Como alternativa, Ahnert apresentou o trabalho de conservação do sistema de produção Cabruca, que consiste no cultivo do cacau sob a sombra da mata atlântica. Segundo ele, a tradição secular é exclusiva da Bahia e conserva a biodiversidade, a água, o solo, além de seqüestrar e estocar carbono, preservando o meio ambiente. São 400 mil hectares plantados no estado, resultando numa produção diferenciada, com adoção de princípios agroecológicos.
Outros processos foram apresentados durante a reunião na Seagri, dentre eles a produção da massa do cacau (líquour) a partir da amêndoa fermentada e seca. O pesquisador Raimundo Mororó, da Ceplac, relatou algumas experiências bem sucedidas no interior do Estado. A Secretaria da Agricultura vai criar um grupo interdisciplinar de trabalho para estabelecer parcerias que viabilizem a adoção dessa técnica por pequenos e médios produtores do estado.
Secretaria avalia tecnologias para beneficiamento do cacau
08/11/2007