Arte e informática na inclusão social de jovens em situação de risco

21/11/2007

Computador, games, internet, artesanato e música são utilizados no trabalho com jovens em situação de risco nas escolas públicas e casas de ressocialização do Estado. Para aprender como utilizar as novas tecnologias a favor da educação, 80 professores da rede pública estão reunidos, desde ontem (20), no Instituto Anísio Teixeira (IAT), no Simpósio Baiano de Tecnologias da Informação e Comunicação. O evento é promovido pela Universidade Estadual da Bahia (Uneb).


Em contraponto, os adolescentes que cumprem medidas sócio-educativas na Casa de Atendimento Sócio-Educativo (Case), em Brotas, expõem quadros, velas e outros artesanatos confeccionados nas oficinas oferecidas por meio da Fundação de Amparo à Criança e ao Adolescente (Fundac).


A intenção é que os jovens reconheçam, entre as atividades oferecidas, a sua vocação. Por isso, além de artes, teatro e música os jovens são encaminhados a cursos de informática, administração e telemarketing. “Nem sempre eles são capazes de perceber que aquilo que diverte pode se transformar em profissão”, afirmou a professora e participante do grupo de pesquisa de currículo e tecnologias da informação e comunicação da Uneb, Valnice Paiva.


Para ela, a iniciativa de levar a informática para a sala de aula é muito positiva e se soma às outras atividades, transformando a educação e socialização dos jovens em um processo mais prazeroso. “As novas mídias e a tecnologia têm um grande potencial de inclusão digital, mas não tiram o mérito das atividades lúdicas, pedagógicas e da arte”.


Para a professora de Geografia da rede pública, Marília Fontes, a função do educador é dar um significado a essas ferramentas. “Fica difícil competir com a internet e os games. A solução é dar a eles uma função pedagógica”, disse. Marília é uma das participantes do simpósio, que acontece até amanhã (22).


Lecionando no Colégio Estadual Márcia Meccia, em Mata Escura, ela enfrenta dificuldade em manter os alunos em sala de aula. A professora acredita que a evasão escolar seja grande porque os estudantes se interessam por muitas outras coisas e deixam a escola de lado. “Nosso dever como educador é transformar a escola em um local mais atrativo”.


Nas oficinas do simpósio, Márcia está aprendendo a criar páginas na internet e ambientes na rede para disponibilizar conteúdos, além de utilizar a rede como fonte de pesquisa e atualização de conteúdo.


De acordo com a pesquisadora da Uneb, a inclusão digital cria um ambiente de troca entre alunos e professores. “Como os jovens têm mais intimidade com a tecnologia no momento em que ela for utilizada na sala de aula, eles poderão auxiliar os professores,”, enfatiza.


A política de juventude é um dos motes da agenda social do governo que está discutindo com os jovens o plano estadual que atenderá às suas necessidades. Para isso, o Governo do Estado lançou a Conferência da Juventude, que analisará as políticas públicas e os projetos para beneficiar a população com idade entre 15 e 29 anos.