Convênios que beneficiam os povos de matriz africana foram assinados hoje (21) entre o Governo do Estado e o Ministério da Cultura (Minc), via Fundação Cultural Palmares. O acordo assegura um montante de R$ 5,8 milhões para a recuperação do Parque São Bartolomeu, um símbolo da diversidade étnica da Bahia, e de aproximadamente R$ 1,9 milhão para a reforma de 41 terreiros de candomblé de Salvador.
Patrimônio da cultura afro-brasileira, o Parque São Bartolomeu vai receber equipamentos para dar suporte aos programas e projetos de inclusão social e de melhoria da qualidade de vida da população, que são realizados ali. O local é considerado um território de riquezas naturais, arqueológicas, históricas e culturais, além de ter servido de cenário para fatos históricos importantes, como a consolidação da independência com a Batalha de Pirajá e a luta dos escravos contra a opressão.
Já as intervenções físicas e estruturais previstas para os terreiros de candomblé de Salvador também vão beneficiar cerca de 400 mil famílias que residem nas proximidades das casas e dos locais de culto. As obras vão ser executadas pela Secretaria do Desenvolvimento Urbano (Sedur). Os convênios foram assinados pelo governador Jaques Wagner, pelo secretário executivo do Minc, Juca Ferreira, pelo secretário de Desenvolvimento Urbano, Afonso Florence, e pelo presidente da Fundação Palmares, Edvaldo Mendes Araújo, conhecido como Zulu Araújo.
O governador Jaques Wagner anunciou ainda que outros 14 terreiros vão ser contemplados com recursos próprios do Estado, da ordem de R$ 700 mil. São aqueles que, por questões fundiárias, não foram cadastrados pela Fundação Palmares.
Os terreiros de candomblé representam a luta pela preservação da cultura africana no Brasil e na Bahia. São também espaços de coesão das comunidades negras e de celebração de cultos. Para o governador, as ações planejadas têm uma simbologia importante. “É o povo de santo vendo resgatado uma parte do tanto que lhe devem”, definiu. O presidente da Fundação Palmares, Zulu Araújo, navegou na mesma corrente e afirmou que os convênios materializam o pagamento de uma pequena parcela da dívida que o estado brasileiro possui com o povo de santo. “E é muito importante que um trabalho como esse seja realizado aqui em Salvador, a cidade que é a nossa Roma negra”.
A solenidade, realizada no Palácio da Aclamação com o tema “Cuidar da cultura da Bahia é preservar a história do Brasil”, também teve direito a uma apresentação musical da banda Ilê Fun Fun. “É impossível pensar o Brasil sem a contribuição que o povo de matriz africana nos trouxe”, resumiu o secretário executivo do Minc, Juca Ferreira.
Em boa hora
Os representantes do povo de santo lotaram a platéia do evento e entoaram cânticos relacionados às suas crenças. Eles demonstraram satisfação com a notícia da liberação dos recursos para reforma dos espaços. Ribamar Daniel, vice-presidente da Sociedade Cruz Santa, que administra o terreiro Axé Opô Afonjá, em São Gonçalo do Retiro, afirmou que a verba veio em boa hora. “Vamos aproveitar para reestruturar a Casa de Oxalá, que é a maior do terreiro. Há muito tempo que precisávamos disso e já estamos com o projeto pronto, apenas à espera do dinheiro”, declarou.
Reinaldo César Navarro de Andrade, que representou o terreiro Babacã Alapim, de Plataforma, declarou ter ficado surpreso positivamente com o anúncio dos recursos. “Meu terreiro já funciona há quase 90 anos e foi herdado de mãe para filho. Essa é uma boa oportunidade para requalificar e reformar o nosso espaço”, falou.