Até a madrugada deste sábado (5), o bairro da Lapinha se transforma em palco para a Folia de Reis. A tradicional festa, que teve início ontem (3) com o tríduo preparatório na igreja, recebe o apoio da Secretaria de Cultura da Bahia (Secult), pelo Fundo de Cultura. Com o tema “Dulce Irmã Santa”, a festa vai arrecadar, este ano, alimentos para as Obras Sociais Irmã Dulce (Osid). Os festejos começam a partir das 21h.
A Secult está destinando R$ 30 mil para a União dos Ternos e Ranchos de Reis, fundada em 1971 para congregar as entidades que participam das comemorações. “É importante garantir a sobrevivência e a continuidade das apresentações dos Ternos de Reis, mantendo viva esta tradição”, afirma a diretora do Fundo de Cultura, Carmem Lúcia Castro Lima.
Até a década de 60, mais de 40 ternos louvavam o Deus Menino com seus cordões de pastoras, estandartes, lanternas, ciganas e samaritanas. Hoje, participam da União apenas cinco entidades: Terno Rosa Menina, Terno da Lua, Terno dos Astros, Terno das Ciganinhas e Terno Estrela do Oriente.
A Folia de Reis tem origem católica e reproduz o trajeto dos três reis magos (Baltazar, Melquior e Gaspar), que levaram incenso, ouro e mirra para Jesus. Os Ternos de Reis foram trazidos pelos colonizadores portugueses e chegaram à Bahia como festa tradicional da elite imperial.“Era uma festa para pessoas ricas, que partiu para a periferia e a cultura popular foi absorvida nos festejos”, conta José Jerônimo, responsável pela União dos Ternos e Ranchos de Reis. Segundo ele, o apoio do Fundo de Cultura vai ajudar a manter essa tradição da Lapinha, “única igreja a cultuar os três reis magos”.
A popularização das comemorações entre as camadas mais pobres começou em 1771, quando foi construída a Igreja da Lapinha, e os festejos migraram para o Largo em frente ao templo. Depois da década de 30, os ternos foram desaparecendo aos poucos.
Também neste sábado (5), artistas, músicos, moradores do Centro Histórico, boêmios e populares integram o Terno Alvorada. O grupo sai às 23h da Fundação Casa Jorge Amado em direção à Lapinha. O Terno Alvorada existe há 28 anos, preservando a tradição com ciganas e pastores que cantam e dançam durante todo o percurso. Ao chegar na Lapinha, o grupo agrega até 300 participantes para celebrar o nascimento do menino Jesus.
Fundo de Cultura apóia a Folia de Reis
04/01/2008