Até início de maio deste ano, o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) finaliza as obras de reforma do Solar Ferrão, construído a partir do século XVIII, no Pelourinho, entre a Rua Gregório de Mattos – antiga Rua Maciel de Baixo - e a Ladeira do Ferrão, ambas integrantes da poligonal de tombamento do conjunto urbanístico do Centro Histórico de Salvador.
O diretor geral do instituto, Frederico Mendonça, informa que após a finalização das obras, o solar terá sua utilização e visitação pública ampliadas a todos os pavimentos do antigo prédio. ”É um monumento que merece ser visitado na sua totalidade, pois, além de tombado individualmente pelo Iphan, desde 1938, como patrimônio nacional, tem notável valor arquitetônico e é considerado como um dos mais belos e imponentes casarões do Pelourinho”, justifica.
Construído em acentuado declive, entre Pelourinho e Baixa dos Sapateiros, o Ferrão tem três pavimentos na parte da frente e seis no fundo. O prédio já hospedou a sede do Ipac, abriga o Museu Abelardo Rodrigues, com acervo de 850 peças de arte sacra, notadamente barroca, a Galeria de Arte Solar Ferrão e a biblioteca do instituto, que também está sendo reformada.
A intenção de Mendonça é que mais salas sejam ocupadas com outros acervos do Ipac abertos à visitação, como a Coleção Cláudio Masella de Artes da África, que reúne cerca de 1,2 mil obras de diversas nações e reinos da Nigéria, Costa do Marfim e República dos Camarões. Outra novidade será o Memorial Solar Ferrão que, em formato de exposição permanente, contará a história e importância do monumento.
Dentre os serviços realizados, o Ipac promoveu a troca de piso, rebocos e a instalação de novo sistema elétrico, sem descaracterizar o estilo colonial da edificação. Foram realizadas pinturas interna e externa, recuperado o assoalho e será implantado sistema de iluminação cênica para valorizar a beleza do prédio.
A primeira etapa foi iniciada em outubro do ano passado e a segunda no início deste ano. “Antes da reforma, o prédio estava em condições precárias, principalmente as instalações elétricas e as estruturas que tinham infiltrações”, ressalta o engenheiro do Ipac, Edson Pellegrino, supervisor da segunda etapa.
História
Construído em alvenaria de pedra, a princípio importada de Portugal e depois obtida em Salvador, o Solar Ferrão tem sua vizinhança formada por sobrados dos séculos XVIII e XIX, que integram o Pelourinho. As escadas e outros elementos são em lioz, enquanto suas duas portadas – a mais nova de 1701 - tem alizares e frontispício que franqueiam o brazão da família Maciel.
Segundo historiadores, essa família iniciou a construção do imóvel, que passou a abrigar depois o Seminário de Nossa Senhora da Conceição. O solar possui bela e ampla escada de mármore português e janelas com frontões que evocam a Lisboa da época do Marquês de Pombal. Logo após a saída dos jesuítas, o casarão foi adquirido por Joaquim Inácio Ferrão de Aragão, e depois de longa cadeia sucessória nessa família, foi vendido para o Centro Operatório. A partir daí, o imóvel passou por intervenções e, finalmente, em 1977, foi adquirido pelo governo da Bahia, que o restaurou tal como se encontra hoje.