Chuva no centro-leste favorece agricultura e recarga de barragens

15/04/2008

O principal período chuvoso já começou na faixa leste (litoral) da Bahia, que compreende as regiões Nordeste, Recôncavo e centro-leste das regiões da Chapada Diamantina e Sul. O prognóstico climático apresentado nesta terça-feira (15) pelo Centro Estadual de Meteorologia da Superintendência de Recursos Hídricos (Cemba/SRH), confirma o já divulgado pelo órgão no mês de março, mostrando que as chuvas devem ficar dentro da normalidade nessas regiões. A tendência climática para o trimestre (abril, maio e junho) indica que há 40% de chances de que as chuvas fiquem dentro da médica histórica em todo o Estado (ver tabela abaixo).


As informações apresentam um cenário favorável para a recarga dos reservatórios situados nessas regiões, a exemplo de Pedra do Cavalo, operada pela SRH, e Joanes I e II, operada pela Embasa, responsáveis pelo abastecimento de água de Salvador e Região Metropolitana.


O coordenador de Barragens da SRH, João Ilton, informou que a Barragem de Pedra do Cavalo subiu 2,46 metros desde o dia 25 de fevereiro, quando atingiu o nível mais baixo desse ano, chegando à cota 111.85 metros. “Hoje Pedra do Cavalo está operando na cota 114,28 e continua subindo. De fevereiro até agora, acumulou mais 322,87 milhões de metros cúbicos de água, o que equivale a 40.360 carros-pipas. Esses dados reforçam as afirmações dadas pela SRH descartando o risco de racionamento”, assegurou. João Ilton acrescentou que, para essa época do ano, Pedra do Cavalo pode chegar à cota máxima de operação de 120 metros.


Plantio


O prognóstico, feito a partir dos dados da IV Reunião de Análise e Previsão Climática realizada em Recife e do Boletim Infoclima do CPTEC/INPE, também é positivo para a agricultura na faixa leste da Bahia. “Como devem ficar dentro da normalidade, as chuvas irão beneficiar principalmente as culturas do milho e feijão, sobretudo, nas regiões Nordeste e Recôncavo, onde os agricultores dependem principalmente das chuvas para produzir”, afirmou o meteorologista da SRH, Heráclio Alves.


O meteorologista alerta que, por ser o período mais chuvoso, há maiores riscos para as populações. “Eventos extremos como enchentes podem acontecer e problemas como desabamentos e deslizamentos de terra também. Isso se deve ao fato de as chuvas serem mais contínuas, o que deixa órgãos como a Defesa Civil em alerta máximo, chegando, inclusive, a deflagrar a Operação Chuva todos os anos nesse período.”


Média histórica


De abril a junho, as regiões com os maiores índices de precipitação são: Recôncavo, com média histórica variando de 143,7 a 897,8 mm; Sul, com variação entre 148,1 a 585,4 mm e a região Nordeste, com índices de 84,1 a 296,7 mm. Na região Norte, a média histórica para esse período é de 42,7 a 338,5 mm, na região da Chapada Diamantina, de 42,9 a 310,3 mm, na Sudoeste de 29,6 a 276 mm, Oeste de 63,6 a 130 mm e na região do São Francisco varia entre 44,8 a 135,2 mm. (Veja detalhes na tabela abaixo).


Heráclio Alves explica que embora os meses de abril e maio sejam os mais chuvosos na faixa centro-leste do Estado, marcam o final do período chuvoso nas regiões Oeste, São Francisco, Sudoeste e do centro-oeste da Chapada Diamantina.
























































Tabela - Média Histórica de Precipitação em cada Região da Bahia
Região Faixa de precipitação (mm) média histórica acumulada
Anual Abril a junho
Oeste 948,9 a 1.167,3 63,6 – 130,0
São Francisco 620,4 a 1.097,5

44,8 – 135,2


Norte 481,3 a 1.044,0

42,7 a 338,5


Chapada Diamantina 503,5 a 1.361,5

42,9 – 310,3


Sudoeste 357,8 a 1.247,0

29,6 a 276,0


Sul 854,6 a 2.045,8

148,1 a 585,4


Recôncavo 600,2 a 2.111,1

143,7 a 897,8


Nordeste 411,6 a 867,4

84,1 a 296,7