Os professores públicos da Bahia que atuam em educação especial estão sendo capacitados em tecnologias assistivas para ampliar e facilitar a inclusão de portadores de deficiência em idade escolar. Hoje (18), no Instituto Anísio Teixeira(IAT), terminou o curso de duas semanas em que 30 professores de 25 municípios baianos tornaram-se aptos a ensinar o Dosvox e a impressão braile. Eles ensinam em centros de educação especial municipais e salas de apoio pedagógico.
Dos 30 professores, dois são cegos. Alessandra Fucs veio se aperfeiçoar no sistema operacional Dosvox, que faz a leitura de qualquer texto digitalizado com um sintetizador de voz. “È o melhor instrumento tecnológico para dar autonomia e promover a escolaridade do aluno cego. Para mim, são os meus olhos”, afirmou Alessandra, que é professora municipal em Lauro de Freitas.
Jaide Pimentel é professor do Centro de Atenção à Pessoa com Deficiência de Buerarema, na região cacaueira. No curso, aprendeu a operar quatro impressoras, o que, segundo o professor, vai dar uma maior agilidade para produção de material para os alunos. “Lá onde eu ensino, vai chegar desse tipo máquina e eu não sabia nada. Esse curso foi ótimo”, disse.
A Secretaria da Educação estima que 450 mil crianças e adolescentes baianos com deficiência, em idade escolar, estejam fora da escola. Por isso a decisão de capacitar melhor os professores da educação especial. Dos quase 36 mil alunos deficientes da rede pública estadual (formada por 1 milhão e 350 mil estudantes) aproximadamente 3 mil são cegos.
Ano passado, o Ministério da Educação (Mec) distribuiu 57 notebooks com o software Dosvox já instalado para alunos do ensino médio de 32 escolas da Bahia. O software livre permite ler e editar textos, acessar a internet e imprimir em braile, entre outros recursos. De acordo com o coordenador de Educação Especial da SEC, João Prazeres, para atender a todos os alunos, seriam necessários de 800 a 1000 computadores portáteis de uso apenas na escola.
Somente em 2008, serão realizados mais 13 cursos como esse nas 33 Diretorias Regionais de Educação (Direcs), que abrangem os 417 municípios, voltados para a capacitação de professores que trabalham com estudantes surdos e mudos, com transtornos globais de desenvolvimento e deficiência mental.
“Esses cursos tendem a preparar melhor o professor da Educação Especial e assim efetivar a inclusão de mais alunos na sociedade”, explicou o coordenador da SEC.