Cerca de 30% dos casos de intoxicação registrados no Brasil são decorrentes de medicamentos. O uso de remédios sem orientação profissional já é a segunda maior causa de mortes por intoxicação no país. Os dados do Sistema Nacional de Informação Tóxico-Farmacológica foram divulgados nesta quinta-feira (8), em Salvador, pelo diretor adjunto da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Norberto Rech.
Os índices foram destacados no Simpósio sobre o Uso Racional de Medicamentos, promovido pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), no Teatro do Isba, em Ondina. O objetivo do evento, conforme explicou o secretário Jorge Solla, é alertar profissionais e estudantes para a questão, a fim de que eles possam agir como agentes multiplicadores, orientando a população sobre os riscos do uso de remédios sem orientação do médico ou farmacêutico.
Segundo presidente do Conselho Regional de Farmácia, Altamiro José dos Santos, a automedicação “é um problema cultural que precisa ser combatido”. Ele alerta, principalmente, para o uso indiscriminado de antibióticos “que mal usados podem acarretar danos à saúde irreversíveis”.
A dona-de-casa Helena Diogo admite que compra remédios sem prescrição médica, “apenas para casos simples como dor de cabeça”. Na maioria dos casos, quando não pode contar com orientação médica, ela busca sempre a ajuda do farmacêutico.
A Lei Sanitária 5.991/73, que rege o comércio de medicamentos, determina que toda farmácia tenha um profissional para orientar os clientes, procedimento que não deve ser feito pelo balconista. Segundo o CRF, cerca de 40% das farmácias do estado atuam de forma clandestina, sem farmacêuticos.
A Secretaria da Saúde, por meio da Superintendência de Vigilância e Proteção à Saúde, pretende agir com rigor, para combater a infração. “Estamos fortalecendo as ações do setor, em todos os sentidos, para dar mais segurança e garantir melhor assistência à população”, enfatizou Solla.