Bahia quer ampliar participação no mercado de exportação de serviços

14/05/2008

Ampliar a participação da Bahia no mercado brasileiro de exportação de serviços que, atualmente, representa 1,4% do total de todo o país. Esse foi o principal assunto discutido durante seminário realizado, nesta quarta-feira (14), no auditório da Federação das Indústrias do Estado (Fieb), em Salvador. O evento, promovido pelo Promo-Centro Internacional de Negócios da Bahia, reuniu empresários e integrantes dos governos federal e estadual.


De acordo com o secretário nacional de Comércio e Serviços, Edson Lupatini, o setor de serviços é responsável por 57% do PIB brasileiro, o equivalente a US$ 450 bilhões. A atividade também é responsável pela geração de metade dos postos de trabalho no país. Ele afirmou que, “na Bahia, o setor terciário é um grande gerador de mão-de-obra com qualificação e melhor remuneração”.


Um dos principais desafios, segundo Lupatini, é equilibrar a balança comercial de serviços no Brasil que ainda representa um déficit de US$ 9,5 bilhões. “Nesse aspecto, nós temos avançado bastante, pois o setor tem taxa de crescimento de 20% ao ano, 10% a mais que a média mundial”, enfatizou.


O secretário da Indústria, Comércio e Mineração do Estado, Rafael Amoedo, ressaltou que a Bahia ainda tem muito a crescer na venda de serviços ao exterior. Mesmo assim, ele pontuou que a área de construção civil é uma das maiores exportadoras de know how baiano para outros países. “A Odebrecht, por exemplo, tem obras nos Emirados Árabes, Angola e outros países, sobretudo com mão-de-obra baiana”.


Para Amoedo, é preciso divulgar as potencialidades e oportunidades de negócios para que o Estado participe com mais ênfase do mercado de serviços. E explicou que as viagens feitas pelo governador Jaques Wagner ao exterior contribuem para a reversão da atual posição da Bahia, que conta com apenas 1,4% da participação nacional.


“Temos um potencial muito grande e estamos nos estruturando com a recuperação de rodovias, construção da Ferrovia Oeste-Leste para que o Estado deixe de ser a sexta economia brasileira para ocupar melhor colocação”, argumentou o secretário.


Angola


Com empresas nas áreas de comunicação e construção civil, a Bahia é o principal parceiro comercial brasileiro de Angola. Os negócios com o país africano são responsáveis pela geração de milhares de postos de trabalho nos dois países.


Para o empresário Maurício Santana, que possui um escritório de sua agência de publicidade em território angolano, é preciso que as autoridades e representantes do setor produtivo se foquem para os países da África. Segundo ele, o continente representa uma série de oportunidades.


Na sua opinião, “um investimento puxa outro e isso se reflete na formação de um intercâmbio para contratação de mão-de-obra e geração de divisas entre a Bahia e essas outras praças. Recentemente fizemos uma campanha publicitária de um shopping center, em Angola, e utilizamos figurantes baianos e africanos. Temos também que aproveitar essa proximidade cultural com eles”.


SAC no exterior


Na esfera pública, o Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) é o principal produto de exportação da Bahia. De acordo com informações da Secretaria Estadual da Administração (Saeb), o modelo está presente em países como Portugal, na Europa, e Colômbia, na América do Sul, além do Distrito Federal e 23 estados no Brasil.


O sucesso da iniciativa - que possui mais de 90% de aprovação do público - também está sendo observado por autoridades bolivianas. Uma comissão integrada pela ministra da Transparência e Combate à Corrupção do país, Nardi Suxo, visitou a unidade da Barra, em Salvador, nesta quarta-feira (14).


As 25 unidades do SAC, na capital e no interior, executam 40 mil atendimentos por dia. A maioria delas possui, em um só local, 22 serviços nas áreas de emissão de documentos e atendimento jurídico.


Para a ministra, é muito importante emitir documentos em um só local, porque “evita a falsificação e a população mais carente economiza com gastos em condução”.