Creaids oferece assistência a pacientes portadores de HIV de toda a Bahia

06/06/2008

Na Bahia, existem mais de nove mil casos registrados de pessoas portadoras de HIV. Deste total,, mais de cinco mil recebem tratamento através do Centro de Referência Estadual de Aids (Creaids), ligado à Secretaria da Saúde (Sesab). Ele foi criado para prestar assistência especializada de média complexidade a pacientes com Aids e ajudar na orientação e prevenção da doença no estado.


O centro conta com um ambulatório especializado com capacidade para atender em média 228 pessoas por dia e funciona das 7 às 18 horas. Além disso, existe o serviço do Hospital-Dia, que atende pacientes que já desenvolveram a doença e precisam fazer um trabalho de prevenção contra infecções oportunistas. Caso os pacientes necessitem de internação, são encaminhados para outras unidades especializadas como os hospitais Roberto Santos e Couto Maia.


O atendimento é realizado por uma equipe multidisciplinar, composta por mais de 300 funcionários entre médicos de várias especialidades, infectologistas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, odontólogos, técnicos em enfermagem, assistentes sociais, farmacêuticos e bioquímicos.


O Creaids também conta com uma central de testagem e aconselhamento, com laboratório, aberto para pessoas que queriam fazer o exame. As pessoas passam por uma sessão de aconselhamento coletivo para tirar as dúvidas, depois uma sessão individual, na qual recebem orientação, no caso de um resultado positivo. No mesmo local, também é feito o acompanhamento para gestantes portadoras do vírus e de crianças até os 18 meses de vida.


A enfermeira, mestre em Saúde Coletiva e diretoria do Creaids, Cristina Camargo, lembra que a principal arma na luta contra a Aids ainda é a prevenção. “É preciso negociar, sim, o uso da camisinha com o parceiro, pois além da Aids, existe o risco de todas as outras doenças sexualmente transmissíveis”, afirmou.


Segundo Cristina, a Aids é uma doença considerada crônica e o vírus é altamente mutante, por isso não existe vacina, mas é preciso aprender a conviver com ele sem perder de vista a questão da prevenção. Para ela, a principal mudança para o controle da epidemia nos últimos anos, foi a atitude dos pacientes soropositivos. “As pessoas passaram a aceitar o tratamento ao longo do tempo, e perceberam que têm condições de levar uma vida prazerosa” disse.


Em todo o estado, existem 27 unidades de serviço especializado graças ao trabalho de descentralização da Sesab. O centro também é responsável por treinar as equipes de serviços de atenção especializada e dos hospitais que estão sob a atenção estadual ou municipal, além de receber algumas missões internacionais que buscam orientação. “Esse ano, pela primeira vez, o Creaids recebeu um convite para levar uma equipe completa à África, para trabalhar com manejo, testagem, aconselhamento e adesão terapêutica”, explicou Cristina.


25 anos de epidemia


Este ano, a epidemia de Aids no país está completando 25 anos. O centro está preparando uma semana de palestras e discussões sobre a história da epidemia, a evolução do tratamento e o desafio de viver com o vírus. O evento terá a participação de diversos movimentos sociais, grupos de apoio, associações e Ongs.


De acordo com Cristina, a terapia antiretroviral obteve uma evolução muito grande para a melhoria das condições de vida das pessoas que vivem positivamente, mas existem algumas vulnerabilidades que ainda precisam de atenção”, explicou. Para ela, é preciso trabalhar a questão programática, que diz respeito à estrutura básica de saúde pública; a questão social, que perpassa pelas condições a que a população vive; e a individual, que trata das características religiosas e educacionais de cada pessoa, fatores que podem dificultar a aceitação do tratamento.


História


O aposentado Rubens dos Santos, de 56 anos, descobriu que é portador do vírus há 18 anos. Ele foi contaminado por meio de relação sexual e há 12 anos faz tratamento no Creaids, mas afirma que se pudesse voltar atrás, teria se prevenido. “Aqui eu tenho o melhor tratamento possível, mas se eu pudesse voltar no tempo teria sim me prevenido”, garantiu.

Rubens chegou a fazer tratamento por conta de duas infecções oportunistas, mas se curou e hoje faz trabalhos voluntários no centro e em outros hospitais, ajudando no aconselhamento e acolhimento de pessoas. Ele afirma que sempre que encontra alguém em depressão por ter descoberto a contaminação pelo vírus, aconselha aos pacientes a fazerem a adesão terapêutica e depois de algum tempo, sempre vê a melhora dessas pessoas. “Eu participo do trabalho de humanização e digo às pessoas que eu não vivo na sombra do vírus, mas os coloco na minha sombra”, garantiu.


O centro ainda tem um projeto de educação, em parceria com escolas estaduais e municipais, com o propósito de modificar a atitude dos jovens quanto à falta de prevenção à doença. Informações sobre sexualidade e detalhes sobre o contágio e a manifestação do vírus estão sendo inseridos na grade curricular das escolas.


Segundo a diretora, o objetivo do centro é garantir um tratamento de qualidade, onde a pessoa não se sinta um doente, mas se sinta acolhida, e saiba que ela tem direitos e deveres. Por isso existe uma preocupação com as condições de vida dos pacientes. Pensando nisso, está prevista para julho a construção de um ginásio para a prática de esportes e outras atividades físicas.