Educação sexual já é trabalhada no Colégio Duque de Caxias

08/07/2008

O Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, irá fornecer 400 máquinas de distribuição de camisinha no país, até o início de 2009. Para o Colégio Estadual Duque de Caxias, onde o tema educação sexual já é trabalhado há dez anos, a medida só vem contribuir com o trabalho realizado na unidade.

Lá, a conversa sobre sexualidade há muito tempo já deixou de ser segredada entre amigos para virar assunto do currículo pedagógico e ser trabalhada interdisciplinarmente. O tema tem tanto destaque que o colégio dedicou uma sala a ele, o 'cantinho da sexualidade'. As ações integram o projeto Sexualidade Humana, que já distribui preservativos aos alunos.

Na sala, cartazes informativos e quadros pintados pelos próprios alunos evocam a temática. “Aqui é o cantinho onde eles buscam informações, tiram dúvidas e também onde pegam o preservativo”, informa a coordenadora do projeto, a professora de matemática, Lícia Maria dos Santos Rosa. As camisinhas são doadas ao colégio pelo 3º Centro de Saúde da Liberdade e também pelo Grupo Gay da Bahia (GGB).

A proposta é, através da educação sexual, reduzir a vulnerabilidade às Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e a Aids. No início do ano é aplicado um questionário para levantar as principais dúvidas dos cerca de 3.600 alunos da unidade e, a partir daí, elas são trabalhadas ao longo do ano letivo.

Para o secretário da Educação, Adeum Sauer, a iniciativa de dedicar um espaço para se falar da sexualidade é muito importante. Ele também destaca que a discussão sobre a temática sexual quebra o tabu que o tema já traz. “Não se trabalha a educação sexual sem conversa. O processo de conscientização se dá dessa maneira. É também este o sentido da distribuição de preservativos na escola. Não é de apologia ao sexo, mas de sexo com responsabilidade”, afirma Sauer.



Criatividade



No Duque de Caxias, os estudantes fazem trabalhos artísticos, revista em quadrinho e vídeos sobre sexualidade e, agora, se preparam para montar um grupo de teatro com foco na temática. “Trabalhar a sexualidade ainda é um tabu, mas, aos poucos, a gente vai derrubando as barreiras. É gratificante ver que o número de alunas gestantes tem reduzido”, pontuou a coordenadora do projeto.

Mãe de alunos e também estudante do 3º ano do colégio, Raquel Lima diz que é extremamente importante a escola se envolver nesse projeto, ajudando pais e alunos a se prevenirem contra as doenças e até mesmo contra uma gravidez indesejada. “Tem muitos pais que não têm condições de ensinar e ficam com vergonha. O projeto ajuda a prevenir a gravidez precoce e também as doenças venéreas”, considera. A estudante do 3º ano, Patrícia dos Santos Silva, 20 anos, também aprova a iniciativa.

“Muitas vezes as pessoas têm preguiça de ir pegar nos postos e tendo na escola facilita. Tem alunos que muitas vezes nem sabe usar a camisinha e aprendem aqui na escola”, diz a estudante. De acordo com o professor de Biologia, Jair Moreira Lima, as demandas são constantes e as mais diversas possíveis. “Volta e meia recebo perguntas. É aluna que chega dizendo que a amiga transou sem camisinha e o que deve fazer ou então dúvidas sobre as DST´s de menor impacto. Vejo como algo de extrema importância a escola abrir as portas para discutir a questão sexual”, afirma.