Parto normal é defendido em seminário

09/07/2008

Com o objetivo de identificar e fortalecer parcerias para a redução do parto cesário sem indicação técnica e científica, foi aberto na manhã desta quarta-feira (9), na Associação Bahiana de Medicina (ABM), o Seminário para a Defesa do Parto Normal. Reunindo cerca de 200 profissionais de saúde, o evento é promovido pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesab).


As discussões no encontro foram baseadas na defesa da implantação de uma cultura da não necessidade de partos cesários, de uma forma descontrolada. Uma pesquisa do Ibope, encomendada pelo Ministério da Saúde (MS), com mais de 4 mil pessoas em 1,2 mil municípios, mostrou que ainda existem muitos mitos em relação ao parto normal:


As pessoas acreditam que mulheres de baixa estatura não podem ter filhos de parto normal; que na gravidez de gêmeos, a mulher tem que dar a luz com a cirurgia cesariana; quem uma vez já fez parto cesário, não pode mais ter filhos de parto normal; que prejudica relação a sexual, pois a crença é que a mulher ficará com a vagina dilatada e ainda acreditam que o parto cesário é mais seguro por envolver uma equipe maior de profissionais.


Para desmistificar essas crenças o ministério lançou um programa que envolve ações de estímulo ao parto normal. A educação da população é o principal foco do programa. São campanhas publicitárias veiculadas na TV e no rádio e distribuição de material impresso. Além disso, o programa conta ainda com a distribuição de manuais para médicos e enfermeiros, além de cartilhas para Agentes Comunitários de Saúde que também estão atuando no esclarecimento da importância do parto normal.


Outra pesquisa aponta que 57% das mulheres, na primeira consulta do pré-natal, afirmam que o desejo é pelo parto normal, mas esse número cai para 27% quando chega aos últimos meses da gravidez.


Segundo o consultor do Ministério da Saúde, Adson França, alguns profissionais não desenvolvem as ações necessárias para alertar sobre os riscos de um parto cesário desnecessário. Para combater isso, o ministério pretende qualificar os profissionais através da Universidade Aberta do SUS, com aulas presenciais e a distância, pelo Telesaúde.


França destacou ainda as iniciativas de parceria dos ministérios da Saúde e Educação, para a qualificação do ensino médico e de enfermagem. “É importante qualificar o profissional para enfrentar todas as questões que envolvem o parto normal, desde a sua formação”, disse o consultor, acrescentando ainda sobre a necessidade da reforma curricular nas escolas médicas.


A diretora de Gestão do Cuidado da Sesab, Débora do Carmo, falou das ações que vem sendo realizadas na Área Técnica de Saúde da Mulher, incentivando os gestores municipais para aderirem ao Programa Nacional de Humanização do Parto e Nascimento, com o intuito de qualificar o pré-natal.