Municípios do semi-árido terão educação contextualizada

24/07/2008

Uma política pública de educação contextualizada de acordo com a realidade do semi-árido. É essa a contribuição que deve sair do “Seminário Educação e Convivência no Campo: avanços e desafios para o Semi-árido baiano”, que a Secretaria Estadual da Educação (SEC) realiza, até esta sexta-feira (25), no Instituto Anísio Teixeira (IAT)), em parceria com a Rede de Educação do Semi-árido Brasileiro (Resab) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).


A ação vai priorizar, inicialmente, 52 dos 279 municípios da região que possuem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixo. O primeiro passo para ação foi dado durante evento que contou com a participação do governador Jaques Wagner, do secretário Estadual da Educação, Adeum Sauer, do membro da secretaria executiva da Resab, Rovilson Bueno, do coordenador do escritório da Unicef para Bahia e Sergipe, Ruy Pavan, entre outras autoridades.


No encontro está sendo discutida uma proposta político-pedagógica de educação para o semi-árido, que respeite e valorize o contexto, as identidades, a cultura e a diversidade da região, que abriga 7 milhões da população baiana, 40% com 0 a 17 anos. “


Segundo Sauer, a secretaria vai investir na oferta de educação profissional na região e ampliar a abrangência do programa Saberes da Terra que hoje atende a 5,7 mil alunos no campo e, só este ano, conta com um investimento de R$15 milhões. Outros programas também já abrangem a região como o de Acompanhamento aos Municípios (Proam), o Círculos de Avaliação e o Topa - Todos pela Alfabetização.


Dos 171 mil estudantes certificados na primeira etapa do Topa, por exemplo, 17 mil foram do semi-árido. O seminário é fruto de um convênio de cooperação firmado entre o Governo do Estado e o Unicef que, dentre outros pontos, busca universalizar o acesso de meninos e meninas de seis a 14 anos ao ensino fundamental. “É preciso uma política de educação no campo que trabalhe com os conceitos próprios da região, fazendo com que o estudante se sinta valorizado e respeitado”, considera o governador.


O objetivo da SEC é apoiar os municípios para concretização da proposta de uma política de educação para a convivência com o semi-árido que promova, entre estudantes, educadores e comunidades, o aprofundamento da compreensão sobre o lugar onde vivem, seu povo, suas plantas, seus animais, seu clima. Ao invés de absorverem o conteúdo de livros didáticos pensados para a realidade das regiões Sul e Sudeste, as peculiaridades da região devem integrar os materiais didáticos e fazer parte do conteúdo das aulas de português, matemática, história, geografia, ciências, entre outros.


É essa realidade que a coordenadora de educação do município de Uauá, Josiela Oliveira Cardoso, já vem colocando em prática com os alunos. Convivendo em uma região que fica até oito meses sem chover, ela diz que atividades e hábitos do cotidiano acabaram sendo incluídos no currículo. “A gente trabalha em sala de aula o manejo, a produção, o cuidado e o armazenamento da água e dos alimentos para o período de seca”, contou a educadora, que considera fundamental a implementação de políticas públicas para fortalecer a prática.


Experiências


À tarde foram apresentadas experiências como o Baú da Leitura, que possui 773 educadores, e as iniciativas realizadas nos municípios de Uauá e Riachão do Jacuípe, num painel que enfatizou a educação contextualizada ao ambiente e cultura dos educandos. A secretária de educação de Uauá, Maria de Fátima Borges, ressaltou que é necessário trabalhar para contornar as resistências e diferenças, convencendo a população da importância da educação. “Mas esse processo tem que passar pela valorização do saber local”, enfatizou.


O coordenador do Unicef, Ruy Pavan, ressaltou que essas experiências exitosas não ocorrem porque há coisa excepcional nos municípios por onde passam o Baú da Leitura, por exemplo. “São experiências que podem ser reproduzidas em distintos municípios do semi-árido. A nossa preocupação é de como vamos nos apropriar e encaminhar essas experiências em políticas públicas”. Pavan ressaltou ainda que as propostas retiradas no seminário terão que se desenvolver e não ter vida apenas enquanto dure o evento.