Capela de Santo Antônio de Mataripe é tombada pelo Ipac

25/07/2008

A capela de Santo Antônio de Mataripe, construída em meados do século XVIII e localizada no município de São Francisco do Conde, Recôncavo baiano, onde se deu assentamentos de importantes construções e engenhos de cana-de-açucar, desde o século XVI, está agora protegida legalmente pelo poder público estadual.


O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), autarquia da Secretaria de Cultura do Estado, iniciou, neste mês, processo de tombamento do imóvel. A ação começou em 1998, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan), mas foi arquivada por seu conselho consultivo, que alegou ausência de verba para continuidade.


Em junho deste ano, o Iphan solicitou que o Estado passasse a se responsabilizar pelo processo, o que fez com que a Gerência de Pesquisa e Legislação de Patrimônio Material e Imaterial do Ipac, retomasse as pesquisas. No último dia 8, o instituto entregou a notificação de tombamento provisório ao Gerente Geral da Unidade de Negócio da Refinaria Landulpho Alves, unidade da Petrobras, localizada no distrito de Mataripe, e atual proprietária da capela.


De acordo com o diretor geral do Ipac, Frederico Mendonça, a importância histórica e arquitetônica da capela é inquestionável. “A notificação de tombamento já garante a salvaguarda imediata desse imóvel”, explica. Embora a capela se encontre em ruína iminente, o início de tombamento faz com que o imóvel passe a ser protegido pelas legislações estaduais e federais. “Apesar da devastação ocorrida os últimos anos, ainda restam elementos que não devem ser esquecidos”, enfatiza.


Arquitetura gótica


Com 409 metros quadrados de área edificada, a capela foi construída nas terras do antigo Engenho Mataripe, de propriedade original da família Moniz Barreto de Aragão e Meneses. O acesso ao monumento se faz por meio da estrada que liga as cidades de Candeias e Madre de Deus.


Típica capela de engenho, construída em meados do século XVIII, em ponto mais elevado que a antiga casa-grande e fábrica, já desaparecidas, a construção tem, contudo, em sua planta-baixa, características das igrejas matrizes interioranas do final do século XVII. Em 1873, seu altar original, em estilo barroco, foi substituído por um neoclássico, ao gosto da época.


A capela tem dois andares, é feita de pedra e tijolos, com telhas de canal e piso em mármore branco e cinza. Nas lápides funerárias, de grande valor histórico, há nove enterramentos dos membros dos Moniz de Aragão, personagens da história do Recôncavo e da Bahia.


Na fachada, encontram-se um frontão em espiral, uma porta em cantaria e cinco janelas de guilhotinas. No interior do imóvel, o destaque fica por conta das imagens de Nossa Senhora da Conceição, São José e Ascenção do Senhor, e o lavabo com o golfinho, datado de 1873. As torres são do final do século XIX, com terminação piramidal remetendo à arquitetura gótica da Idade Média.


O município baiano de São Francisco do Conde detém cerca de 267 quilômetros quadrados e pertenceu à Salvador até 1697, quando foi emancipado tornando-se o 3º município brasileiro com maior PIB per Capita, graças à economia atual baseada na exploração e refino de petróleo. Limita-se com os municípios de Santo Amaro, São Sebastião do Passé, Candeias, Salvador e as águas da Baía de Todos os Santos. A ocupação da região data do século XVI.