Moderadores do Estado consolidam interlocução com a sociedade

06/08/2008

Os eventos realizados desde 2007 pelo governo baiano vêm mostrando o trabalho desenvolvido por um grupo de pessoas com a missão de facilitar a interlocução entre o Estado e a sociedade. São os chamados moderadores, uma equipe constituída por servidores estaduais que estimulam os debates, contribuem para o bom andamento das discussões, orientam o público presente e constroem a metodologia das atividades. A mais recente amostra do trabalho dos moderadores pôde ser conferida durante as plenárias territoriais da 1ª Conferência de Comunicação Social da Bahia, que percorreram oito municípios.


O trabalho dos moderadores não é de agora. Eles já são conhecidos desde o Plano Plurianual Participativo (PPA), cujas plenárias percorreram 17 cidades baianas no ano passado. Desde então, não houve mais descanso. Os moderadores participaram do Encontro pelas Águas, promovido pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema), das conferências estaduais de Cultura, da Juventude, da Ciência e Tecnologia, dos Idosos e dos Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transexuais e Transgêneros (GLBTT). Somente as plenárias da Juventude visitaram 22 lugares.


A maioria do grupo, que se reúne periodicamente, é formada por servidores de carreira (gestores públicos em sua maior parte). Sua principal função é estimular o debate político e fortalecer a cidadania, contribuindo para a consolidação de uma cultura mais democrática, participativa e inclusiva. Já existe até mesmo a possibilidade de regularização formal do grupo, por meio de um decreto – uma minuta nesse sentido já foi elaborada.


Tudo começou durante a organização do PPA, quando Edson Valadares, membro e idealizador do grupo (era ele quem coordenava o PPA na época), solicitou às secretarias que indicassem servidores para atuar como mediadores no evento. Cerca de 40 a 50 pessoas foram indicadas e participaram de um treinamento – uma espécie de capacitação em dinâmica, mobilização e outros temas. O resultado não foi outro - eles deram conta das mais de 12 mil pessoas que participaram das plenárias do PPA em todo o estado.


Do PPA para cá, mais de 100 pessoas passaram pela experiência de atuar como moderador em eventos. A boa atuação do grupo rendeu convites das secretarias para participar de outros eventos. “Ganhamos know-how, o que serviu para consolidar os moderadores como peças fundamentais no diálogo com a sociedade”, comenta Valadares.


O treinamento ajudou os moderadores, cheios de boa vontade e compromisso, a lidar com o público e a abordar os assuntos em questão da forma correta. Para Fabiana Mattos, moderadora e servidora da Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJDH), o trabalho de moderação é gratificante. “Desde o PPA, ser moderadora me trouxe um grande crescimento pessoal e profissional. É muito bonito ver todo mundo participando na construção das políticas públicas”, define.


Kátia Marilda, funcionária da Secretaria da Fazenda (Sefaz), tem opinião semelhante. “Para o Estado, esse é um processo sem volta, pois a sociedade deverá ser consultada para tudo o que for feito, o que evidencia a importância desses eventos e da nossa moderação”, destacou.


O também moderador Danilo Uzêda, servidor da Secretaria do Planejamento (Seplan), acredita que o Estado só tem a ganhar ao consultar a população. “E, para tornar o processo ainda mais participativo, somos nós, os próprios servidores, que fazemos o intermédio da discussão entre o governo e o povo”, afirmou, acrescentando que o moderador não interfere na opinião do público, que tem o poder de expressá-la espontaneamente.