Publicada às 17h25
Atualizada às 19h20
A Bahia agora é sede da segunda maior usina de beneficiamento de algodão do mundo, que vai produzir, inicialmente, cerca de 100 mil fardos de algodão em pluma e gerar 110 empregos. Localizada na Fazenda Tabuleiro, a usina possui uma área de cultivo de 100 mil hectares distribuídos entre os municípios de Correntina e São Desidério, sendo 60 mil ocupados com plantações de soja, algodão e milho e 20 mil de algodão.
A indústria foi inaugurada, nesta quinta-feira (07), com a presença do governador Jaques Wagner, dos secretários da Agricultura, Geraldo Simões, e da Indústria, Comércio e Mineração, Rafael Amoedo, e dos representantes japoneses e americanos. Foram investidos na implantação R$ 30 milhões, resultado da viagem feita pelo governador ao Japão.
“Se nós não sairmos para buscar investimentos, eles não vão chegar. Então, minhas viagens ao exterior são produtivas. Prova disto é que estou cumprindo o compromisso que assumi no início do meu governo de não dividir a região oeste e sim desenvolvê-la”, enfatizou Wagner.
Ele disse ainda que agora apenas é o começo do muito desenvolvimento que está por vir. "Precisamos expandir. Não devemos ficar limitados apenas a pluma do algodão. Agora temos que batalhar para uma usina de fios e tecidos”.
A expectativa, até o fim deste ano, é de que a indústria dobre a produtividade e aumente em 40% o número de funcionários. Para o trabalhador Nilton Couto, a indústria representa mudança de vida. “Com a usina, aqui, em São Desidério, fica melhor porque, antes, a gente tinha que ir para o Mato Grosso trabalhar. Agora podemos ficar mais perto de nossas famílias e melhorar de vida”, acentou.
A fazenda pertence à Agricola Xingu S.A, subsidiária integral da Multigrain S.A, de propriedade da Mitsui (Japão), CHS Inc (Estados Unidos) e PMG Trading SA (Brasil) e é a maior produtora de soja e milho do Norte e Nordeste. Emprega 500 funcionários, na entresafra, e acima de 700, na safra. Só no ano passado, foram produzidas cerca de 60 mil toneladas de soja.
Somada a outras 350 mil toneladas in natura, compradas de produtores baianos, a empresa exportou cerca de 400 mil toneladas do produto em 2007. O presidente da Usina, Paulo Garcês, confia na potencialidade da região e diz que toda produção será destinada tanto para o mercado externo, quanto para o interno.
“Nós já estávamos investindo na região há cinco anos. Aqui estamos conseguindo algodão e produtos de qualidade. Escolhemos o oeste da Bahia por conta da topografia da terra e do clima, que são propícios para o plantio do algodão, da soja e de outros produtos agrícolas”, afirmou Garcês.
As condições favoráveis oferecidas pelo Governo da Bahia – infra-estrutura, incentivos fiscais e outros fatores – também foram essenciais para a instalação do empreendimento. Há cinco anos, a Bahia respondia por 5% da produção nacional de algodão. Hoje, o número chega a 30% e o estado se consolidou como o segundo maior produtor do Brasil.
A região oeste é responsável por 90% da produção baiana de algodão. O clima seco ajuda na colheita e a área plantada do produto cresceu quase 8% em relação ao ano passado chegando, pela primeira vez, aos 300 mil hectares. Para o secretário Rafael Amoedo, o empreendimento é fruto da política de descentralização da indústria no estado e vai cooperar para melhorar ainda mais estes números.
“A Bahia já tem 15 distritos industriais e nós queremos ampliar os horizontes. O grande desafio é tornar um estado por igual e fazer com que ele se desenvolva como um só. Não é necessário dividir a região oeste para transformá-la”, afirmou Amoedo.
Expansão
De acordo com o presidente da Usina, Paulo Garcês, ainda este ano deve ser dado início ao plantio de cana, em uma atividade experimental para investimentos futuros na produção de Etanol. Os projetos de expansão prevêem a instalação de uma esmagadora de caroço de algodão, uma usina de biodiesel e uma de etanol para a produção anual de 250 mil metros cúbicos de álcool hidratado e anidro, além de 400 mil MW de energia elétrica. Para isso, estão previstos investimentos adicionais de aproximadamente R$ 600 milhões e uma geração superior a 1000 novos empregos.