O baixo desempenho - média 1 - do curso de Fonoaudiologia da Uneb no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade 2007) foi resultado do boicote dos alunos, que aderiram a uma campanha nacional contra o exame.
Mateus Quadros, da coordenação do Diretório Acadêmico (DA) do curso, disse que a entidade estudantil promoveu intensa mobilização antes e durante o exame, para obter a adesão dos colegas ao boicote. O boicote é uma campanha nacional contra o Enade, que apoiamos totalmente. Convocamos os calouros e veteranos para apenas registrar a presença no dia do exame e deixar a prova em branco. O resultado mostra que tivemos sucesso na mobilização", explicou Mateus.
O dirigente estudantil afirma que "o Enade avalia apenas o estudante, e não afere a qualidade da infra-estrutura, dos docentes, do acervo bibliográfico e da produção científica do curso. Além disso, é uma prova unificada nacionalmente, sem considerar as diferenças regionais de cada curso".
As razões do boicote vão além, segundo Mateus: "Somos contra a obrigatoriedade da prova, que termina sendo punitiva para as universidades públicas, porque o governo reduz verbas e investimentos para as instituições que obtiveram baixo desempenho. Deveria ser o contrário: quem está mal receberia maiores recursos do governo. É uma política de sucateamento das universidades públicas".
Apesar disso, Mateus avalia o curso de Fonoaudiologia como um dos melhores da Uneb, dentro de um quadro geral de carências e deficiências vividas pelas universidades públicas, em decorrência da escassez de verbas e da falta de professores e servidores suficientes.
"Tenho certeza de que, se fizéssemos a prova, dava para tirar nota máxima neste Enade, como aconteceu no exame anterior (Enade 2006), quando obtivemos nota 4 (conceito máximo)", assegura o estudante.
Professores qualificados e clínica-escola
"Não me surpreendeu esse resultado no Enade. Já sabíamos da campanha de boicote dos estudantes". Reforçando as palavras do líder estudantil, a professora Maria da Glória Canto, coordenadora do Colegiado do curso de Fonoaudiologia da UNEB, informou que no Enade 2006 o curso obteve ótimo conceito (nota 4) e, desde que o exame chamava-se Provão, o curso vem alcançando bons índices, chegando a conquistar 99,9 de acertos em 100 em avaliações anteriores.
Ela informou que o corpo docente do curso é composto de 88% de professores doutores, doutorandos e mestres. "De 44 docentes que ensinam no bacharelado de Fonoaudiologia, 10 possuem o título de doutor, três são doutorandos e 25 são mestres - títulos obtidos em universidades reconhecidas nacionalmente, a exemplo da USP e PUC de São Paulo", detalhou.
O curso, criado em 1999, tem convênio também com o Instituto de Otorrinolaringologia Otaviano Andrade (Inooa), sediado em Salvador, onde os graduandos fazem estágio curricular em exames fonoaudiológicos mais sofisticados.
O curso de Fonoaudiologia também uma clínica-escola, sediada no Campus I, em Salvador. Segundo Glória Canto, desde a sua implantação, em 2001, até julho de 2008, a clínica já realizou 2.297 exames audiológicos, atendendo gratuitamente a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) de idade variada, do recém-nascido ao idoso, moradores de diversos bairros da cidade, em especial os mais carentes.
E em termos de tratamento ou terapia fonoaudiológica - para distúrbios de linguagem, da voz, fala e audição, incluindo preventivo de cânceres na laringe e muitas outras enfermidades -, estudantes e professores orientadores da Clínica-Escola da UNEB já realizaram 269 tratamentos, muitos de longa duração. "Temos uma lista de espera para tratamento e terapia na clínica de 623 pacientes, para se ter uma idéia da nossa demanda", disse Canto.
A administração da Uneb, de acordo com a diretoria do Departamento de Ciências da Vida (DCV), ao qual está vinculado o curso de Fonoaudiologia, está adquirindo, ainda este mês, novos equipamentos e aparelhos para o bacharelado de Fonoaudiologia e a Clínica-Escola, que vão qualificar ainda mais o curso e o atendimento aos pacientes.