Estudantes participam de intercâmbio África/Bahia

08/08/2008

Alunos do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães tiveram a oportunidade de conhecer a história, aspectos políticos, geográficos, sociais e culturais do continente africano retratados por pessoas que vivem a realidade de perto. O bate-papo ocorreu durante o 1º Intercâmbio Cultural África/Bahia, realizado, nesta sexta-feira (8), na unidade, reunindo representantes da Guiné Bissau, Moçambique, Nigéria, Gana e Angola.


Embora a atividade fosse voltada para as turmas de 2º ano do ensino médio, que têm no currículo a disciplina História e Cultura Afro-brasileira, estudantes de outras séries também foram atraídos para o auditório, ajudando a lotar o espaço.


A idéia do colégio foi proporcionar ao aluno o retrato atual dos países africanos, relacionando a realidade com os assuntos abordados em sala de aula. De acordo com o diretor do colégio, Carlos Santana, a proposta é romper a idéia de que os trabalhos sobre a cultura africana devem ocorrer somente na semana da Consciência Negra.


“É preciso acabar com o imaginário de que a África só tem macaco, zebra e pobreza. Os alunos têm que saber que o continente atravessa dificuldades, mas tem também os aspectos positivos”, explicou. O encontro ocorreu das 8h30 às 12h e os alunos puderam fazer perguntas sobre a realidade dos países.


Para o estudante do 2º ano, Joaquisson Reis dos Santos, 16 anos, o intercâmbio possibilitou trabalhar as disciplinas História e Cultura Afro-brasileira, Geografia e História. “Acho que é uma discussão muito importante, inclusive para que saibamos mais das nossas origens, como a irmã África se relaciona do outro lado do Atlântico”, disse o estudante.


Dentre todos os conhecimentos que teve acesso, o que mais o surpreendeu foi saber sobre a Guerra Civil que dizimou 500 mil vidas em Angola. Ele acentuou que “antes havia só a preocupação de ensinar a história dos países europeus, nunca tivemos esse olhar voltado para a África”.


A atividade foi voltada para seis turmas de 2º ano do ensino médio, que reúnem aproximadamente 240 estudantes. Para a professora de História e Cultural Afro-brasileira, Andaraí Cavalcante, talvez se o assunto tivesse sido abordado de forma convencional, em sala de aula, não tivesse atraído tantas atenções. “Ter acesso ao conhecimento por meio de pessoas que vivenciam esta realidade é diferente do contato pelos livros ou internet”, pontua a professora.


Mesmo não sendo aluna do 2º ano, a estudante Neila Soledade, 18 anos, que coordenadora organizacional do grêmio estudantil, não perdeu a oportunidade de se juntar a platéia. “É uma discussão muito importante porque muda o olhar sobre as questões raciais, ajudando a fortalecer a identidade negra dos estudantes e também o fim do racismo”, considerou.


Para ela, também representa uma oportunidade de colocar por água abaixo a imagem negativa que se construiu do negro. “Com essa compreensão histórica dos nossos antepassados, vemos que os negros não eram conformados. Eles tiveram um passado de lutas para chegarmos até aqui”, enfatizou Soledade, aluna do 3º ano.