A noção de que a identidade brasileira é fruto da junção de negros, índios e brancos é recorrente, sobretudo quando se pretende falar do mito da democracia racial. Embora atualmente seja admitida a contribuição de cada um desses elementos na formação cultural do país, a História demonstra que a miscigenação nem sempre foi vista com bons olhos. Evidenciar a forma com que essa fusão era vista por parte dos viajantes estrangeiros será a proposta da próxima aula do curso Conversando com sua História, promovido pelo Centro de Memória da Fundação Pedro Calmon/ Secult, com a Prof.ª Olívia Biasin, nesta terça-feira (12), às 17h, no auditório do Palácio Rio Branco.
“Olhares estrangeiros: impressões dos viajantes acerca da diversidade racial na construção da identidade brasileira (1822-1889)” será o tema da aula ministrada por Biasin. Primeira vez em que participa do curso, a professora considera “uma oportunidade ímpar de debater a história do Brasil e, principalmente, da Bahia”. Com base no diário destes viajantes que passaram pela Bahia durante o período imperial, pretende-se mostrar que a diversidade racial era vista como um fator negativo na construção da identidade brasileira. “Eles enxergavam esta diversidade com um olhar etnocêntrico e racista. Negros e índios eram considerados como inferiores, um fardo para a nação. É importante destacar ainda que o século XIX é o momento em que várias teorias raciais ganham força”, ressalta a palestrante.
Doutora em História pela Universidade Federal da Bahia, a professora Olívia Biasin é atualmente pesquisadora do Museu de Arte da Bahia e colaboradora do Instituto Baiano de Ensino Superior. Dentre as publicações de sua autoria, consta o artigo “Viagens Científicas no Brasil Oitocentista: a diversidade racial na construção da identidade brasileira”. A palestra é gratuita, inscrições no local.