Norte-americanos chegam à Bahia para Festa da Boa Morte

12/08/2008

Os sons dos atabaques e berimbaus, acompanhados pelos sorrisos e coreografias das baianas – que distribuíram fitinhas do Senhor do Bonfim –, serviram como boas-vindas para 16 norte-americanos que desembarcaram na manhã desta terça-feira (12) no aeroporto de Salvador. Eles vão passar de cinco a sete dias na Bahia e chegam para conhecer as potencialidades étnicas do estado, a exemplo da Festa da Boa Morte.


Segundo a dona da agência de turismo norte-americana Soul Planet Group, Nhe Nhe, os negros dos Estados Unidos se importam muito com os antepassados africanos. “Para eles, é muito interessante resgatar o passado de escravidão e sofrimento para ressaltar a grandeza do nosso povo”, afirmou.


Nhe Nhe disse que o turismo étnico é muito importante também sob o aspecto comercial. A empresária antecipou que já está elaborando pacotes de viagem para a Festa do Rio Vermelho, em fevereiro.


Para o coordenador de turismo étnico da Secretaria Estadual de Turismo (Setur), Billy Arquimimo, a iniciativa busca resgatar os valores dos povos negros da Bahia e fazer um intercâmbio cultural com os afrodescendentes de todo o mundo e, em especial, dos Estados Unidos.


De acordo com a Setur, mais de 300 norte-americanos vão desembarcar em solo baiano até o próximo dia 17. No roteiro estão previstas visitas ao município de Cachoeira – onde se realiza a Festa da Boa Morte –, passeios pelo Centro Antigo de Salvador e bairros como a Liberdade, onde acompanharão o ensaio do Ilê Aiyê, e Itapuã.


“Vir para casa”


Para Jackeline Fussking, vir à Bahia é o mesmo que vir para casa. “Estou amando estar aqui e amando essas pessoas muito simpáticas e sempre sorridentes”, destacou a norte-americana, que garantiu presença em Cachoeira.

A jovem Robyn veio acompanhada da mãe. O principal item da bagagem, disse, é a câmera digital. “Com ela pretendo levar imagens inesquecíveis do povo baiano, que se parece muito com o norte-americano, sobretudo na forma de se expressar, que é muito espontânea”, explicou.


Além dos turistas, um grupo formado por 18 jornalistas da Filadélfia, Atlanta Washington e Nova Iorque tem chegada prevista para acompanhar a Festa da Boa Morte e percorrer os sítios étnicos de Salvador.