Professores quilombolas participam de oficinas durante conferência

29/08/2008

Uma apresentação do coral de alunos da Escola Estadual Nilton Sucupira, de Mussurunga, abriu nesta sexta-feira (29) a IIIª Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, no Centro de Referência da Cultura Afro-brasileira, em Lauro de Freitas. O evento, realizado em parceria pelo Ministério da Educação (MEC) e pelas secretarias estaduais da Educação (SEC) e da Promoção da Igualdade (Sepromi), tem como ponto alto a oferta de oficinas para professores de comunidades quilombolas, que serão capacitados para discutir o tema das mudanças ambientais globais nas escolas, propondo debates e elaborando ações de enfrentamento.


Cerca de 150 professores quilombolas estavam presentes, entre eles Shirley Pimentel, coordenadora pedagógica do Centro Educativo Eugínio Nunes de Sousa, que funciona no quilombo Rio das Rãs, na região de Bom Jesus da Lapa. Ela afirma que a questão do meio ambiente sempre esteve presente na história do povo quilombola, mas falta orientação para trabalhar esse tema em sala de aula.


“Para nós, participar da oficina vai ser uma rica troca de experiências. Queremos passar para os alunos a relação dos quilombolas com a natureza, diferente da visão capitalista, que nem sempre é de preservar, e sim de destruir”, comentou a professora.


Segundo a coordenadora de Educação Ambiental da SEC, Solange Alcântara, existem mais de 500 escolas voltadas às comunidades quilombolas na Bahia. São povos, assim como outras comunidades negras tradicionais, que têm o modo de vida diretamente relacionado ao meio ambiente.


A secretária de Promoção da Igualdade, Luiza Bairros, afirmou que realizar oficinas para os quilombolas significa reconhecer a sua importância na preservação do meio ambiente. “Chama a atenção a forma como eles trabalham a agricultura de forma respeitosa, condizente com o desenvolvimento sustentável. Na oficina, eles vieram aprender, mas certamente terão muito mais a nos ensinar”.


A idéia de fomentar essa discussão nas escolas foi defendida pela coordenadora geral de Educação Ambiental do MEC, Raquel Trajber, e pelo coordenador da Conferência do Ministério do Meio Ambiente, Geraldo Abreu. “Nossa idéia é realizar um profundo diálogo de saberes acerca das mudanças ambientais globais, um assunto que estamos acompanhando e ainda temos muito o que aprender com os povos ancestrais. Assim, poderemos cuidar melhor do Brasil”, falou Raquel.


No evento, que prossegue até domingo (31), também estavam presentes o secretário da Educação, Adeum Sauer, e representantes de movimentos negros e de entidades ambientalistas. A realização da conferência nacional já prepara o terreno para o lançamento da conferência estadual, prevista para o mês de novembro, em Salvador.