Comunidades comemoram primeiro ano das discussões sobre as águas

29/08/2008

Representantes de comunidades de terreiros, quilombolas, pescadores, ambientalistas, entre outros segmentos sociais, se reuniram no Terreiro Casa Branca (Ilê Axé Iya Nassô Oká), na Avenida Vasco da Gama, em Salvador, para um café-da-manhã comemorativo do primeiro ano da série “Encontros pelas Águas”.


Os eventos reuniram, no ano passado, mais de três mil pessoas de oito segmentos sociais em diversas regiões do estado para debater temas como proteção, conservação e o uso sustentável da água, destinados à construção das políticas públicas sobre o tema.


A anfitriã e presidente do Conselho das Águas, Ekedy Sinha, ressaltou a importância da iniciativa do Governo do Estado em discutir com a sociedade as políticas públicas de conservação das águas. Ela falou também sobre a importância da água, como elemento sagrado, para o povo do candomblé.


O diretor-geral do Instituto de Gestão das Águas e Clima (Ingá), Julio Rocha, falou sobre os avanços na gestão de recursos hídricos na Bahia, com a participação das comunidades tradicionais nos encontros. Isto porque, as demandas apresentadas foram compiladas em uma carta, que foi entregue ao governador Jaques Wagner na Conferência Estadual de Meio Ambiente. O Conselho das Águas foi instituído para acompanhar a aplicabilidade da Carta Pelas Águas.


“Hoje, temos vez e somos ouvidos. O trabalho de conscientização e preservação das fontes de terreiros, realizado pelo Programa Água para Todos, é uma coisa muito importante para nós, pois a água representa muito mais do que uma necessidade, é um bem sagrado”, disse a religiosa.


Diálogo


Para Julio Rocha, o Encontro pelas Águas representa o caráter popular democrático do governo de dar voz e vez aos direitos das comunidades tradicionais, respeitando também os saberes populares e as experiências de vida dessas pessoas por meio da escuta permanente. “Os encontros possibilitaram dialogar com nós mesmos, com nossas tradições e casar as idéias da gestão pública com a experiência de vida e o cuidado com a água que as comunidade tradicionais ensinam”, explicou.


Jaime Cupertino, representante dos quilombolas no Conselho das Águas, se emocionou quando falou da relação do seu povo, da comunidade quilombola Vazante, no município de Seabra, com a água. “Sempre tivemos um respeito muito forte com a água, mas não sabíamos explicar o porquê. Agora, ouvindo Ekedy Sinha falar, posso entender. É porque a água é sagrada”, enfatizou.


Na opinião de Cupertino, a participação da sociedade civil e das comunidades tradicionais aumentou significativamente na atual gestão de governo. “Hoje podemos falar mais forte sobre a preservação e os cuidados com os rios e as matas”.


Também presente no encontro, o agricultor e membro do Conselho das Águas, Manoel Aílton de Carvalho, destacou os Encontros pelas Águas como um espaço aberto, que traz as demandas das comunidades. “É onde somos realmente temos voz ativa e nossas demandas são discutidas. Por meio deles pudemos nos mobilizar e nos articular em busca dos nossos anseios”, afirmou o morador da comunidade quilombola de São Tomé, em Campo Formoso.