Separados pelo Atlântico mas unidos pela história, Benin e Bahia ficaram ainda mais próximos desde esta terça-feira (9), com o primeiro dia da visita do governador Jaques Wagner e comitiva ao país africano. A agenda incluiu compromissos econômicos e culturais. Com um olhar para o passado e os pés no futuro, os dois povos fortificam seus laços e inauguram uma parceria que pode significar desenvolvimento econômico e social nos dois lados do Oceano Atlântico. À noite, o governador foi condecorado pelo presidente Boni Yayi com a Ordem do Mérito Nacional, a maior honraria beninense.
Os objetivos econômicos da visita ficam evidentes com a presença na comitiva do secretário da Indústria, Comércio e Mineração, Rafael Amoedo, e do presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Victor Ventin. Eles prospectaram algumas das potencialidades locais e na volta divulgarão no setor produtivo baiano as oportunidades oferecidas pelo país.
Mais do que isso, há o reconhecimento do governo baiano do elo cultural entre Bahia e Benin e a dívida que o Brasil tem com o país, pois foi de lá que partiu grande parte dos escravos trazidos pelos portugueses. Também integram a comitiva do governador o ministro da Cultura Juca Ferreira, os presidentes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Luís Fernando Almeida, e da Fundação Palmares, Zulu Araújo, os secretários de Cultura, Márcio Meirelles, e de Promoção da Igualdade, Luíza Bairros.
Às 9h (5h de Brasília), Wagner foi recebido, em Cotonou, pelo presidente Yayi, que expôs a grande carência do Benin em setores como educação e geração de energia. O país vive quase que exclusivamente da exportação de algodão, cacau, produtos têxteis e artesanais. O governador também conversou com outras autoridades políticas e representantes do meio empresarial.
Depois, a comitiva visitou o Porto Autônomo de Cotonou e a Câmara de Comercio e Indústria do Benin. Para representantes da iniciativa privada, Wagner falou do nível de excelência alcançado pela indústria da construção civil baiana, que já realiza empreendimentos em outras nações africanas.
Em Ouidah, no período da tarde, o governador foi recepcionado com uma animada manifestação de músicas e danças locais. Foi do porto desta cidade histórica que partiram as embarcações que trouxeram escravos africanos ao Brasil. Ele participou da cerimônia de doação de material escolar pelo Governo da Bahia à Escola Primária República do Brasil.
Outra visita feita em Ouidah foi à casa do antigo mercador de escravos brasileiro Francisco Félix de Souza. Nascido na Bahia, em 1754, Félix de Souza recebeu o monopólio do tráfico de escravos do rei beninense Adandozan Guezo, após ajudá-lo a recuperar o trono. A casa, reformada, foi inaugurada pelo presidente Lula quando da sua viagem ao país em 2006.
Em 1818, o brasileiro se converteu em Cha Cha I, vice-rei da antiga Benin, e num dos principais "exportadores" de escravos para as Américas. O brasileiro deixou ainda uma descendência próspera e numerosa. Hoje, seu “cargo” é ocupado por um deles, o Cha Cha VIII. O Cha Cha é uma espécie de autoridade informal da região.
Wagner foi também ao Portal do Não Retorno, monumento construído em 1992, emblemático por ser o ponto a partir do qual os escravos abandonavam as esperanças de voltar ao continente. De lá, embarcavam para a perda da liberdade. Em seguida, o governador esteve no memorial que homenageia aqueles que morriam antes de embarcar e eram enterrados em valas comuns. Atualmente, é um local de meditação.
Em Ouidah, o governador da Bahia foi constantemente acompanhado por uma grande multidão, que fez animadas demonstrações da cultura Vodu. O Benin é o único país que venera as 41 divindades dessa forma de expressão cultural e religiosa. Ele esteve ainda na Casa do Brasil, inaugurada pelo então prefeito de Salvador Mário Kertész, em 1987. Depois, na prefeitura do município, o governador recebeu o título de cidadão benemérito.
No retorno a Cotonou, o governador participou de um jantar em sua homenagem oferecido pelo presidente do Benin e recebeu a Ordem do Mérito Nacional.
Nesta quarta-feira (10), Jaques Wagner cumpre uma série de compromissos na cidade de Porto Novo.
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