Conferência debate acessibilidade para pessoas com deficiência

16/09/2008

A auxiliar administrativa Adriana Bispo, 32 anos, se locomove com a ajuda de uma cadeira de rodas e de uma bengala desde 1996. Vítima de artrite reumatóide que a acometeu aos 11 anos e de fraqueza muscular generalizada a partir dos 18, ela faz tratamento especializado de reabilitação, o que lhe garante uma melhor qualidade de vida. Adriana é uma das participantes da IIª Conferência Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, aberta nesta terça-feira (16) no Centro de Convenções.


O evento tem o objetivo de avaliar as políticas públicas em curso, sugerir modificações e fortalecer as instâncias envolvidas no processo. Como alguém que conhece a realidade de perto, Adriana dá sua opinião. “Sinto falta de mais rampas nas ruas e de elevadores em determinados locais. A arquitetura moderna já se preocupa um pouco com a acessibilidade, mas continua bem difícil chegar aos prédios mais antigos e sair deles”, conta ela, que é casada há oito anos e mora na cidade de Mairi, onde nasceu.


Com o tema Inclusão, Participação e Desenvolvimento – Um novo jeito de avançar, a conferência é promovida pela Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH), em parceria com o Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Coede), e prossegue até quinta-feira (18). Nela, vão ser eleitos os delegados que vão representar a Bahia na conferência nacional, prevista para dezembro deste ano, em Brasília, onde as discussões vão ser aprofundadas.


Ao abrir o evento, a secretária da Justiça, Marília Muricy, destacou a criação, no âmbito da SJCDH, de uma coordenadoria específica para discutir o assunto da acessibilidade. “Infelizmente, Salvador é uma cidade que não foi preparada para acolher a pessoa com deficiência. E com essa conferência, estamos abrindo um espaço de debate para que possamos cada vez mais promover a inclusão social”, comentou.


Para o superintendente de Apoio e Defesa dos Direitos Humanos da SJCDH, Frederico Fernandes, há diversas leis, estatutos e instrumentos jurídicos que garantem uma série de direitos às pessoas com deficiência, sobretudo no tocante à acessibilidade. “Porém, há também um abismo entre o que é proposto e a realidade. Os avanços existem, mas eles sinalizam que temos um longo caminho pela frente”, disse.


Fernandes explicou ainda que a SJCDH tem um projeto, ainda a ser executado, de capacitar os funcionários responsáveis pelas construções administrativas do Estado sobre noções de acessibilidade. A meta, em seguida, é estender a capacitação a servidores de outras áreas ligadas à engenharia e arquitetura.