Audiência discute situação dos trabalhadores da cana-de-açúcar de Teixeira de Freitas

12/11/2008

Aproximadamente 200 pessoas, entre trabalhadores rurais, empregadores e estudantes universitários, participam, nesta quinta-feira (13), de audiência pública sobre segurança e saúde do trabalhador na cana-de-açúcar, que acontece no município de Teixeira de Freitas, no extremo sul do estado.


O evento, que visa conscientizar e informar a respeito dos perigos e desafios da atividade canavieira, é promovido pelo Fórum de Proteção ao Meio Ambiente do Trabalho (Forumat), composto pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia (Setre), Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), Fundacentro, Ministério Público do Trabalho e Superintendência Regional do Trabalho e Emprego.


Das 8h30 às 17h serão debatidos temas como a atividade de corte de cana-de-açúcar e a dignidade do trabalhador, processo do trabalho manual dos cortadores de cana-de-açúcar, e segurança e saúde no setor rural de acordo com a Norma Regulamentadora 31, tema que será abordado pelo engenheiro Roberto Macedo, técnico da Setre.


Precarização


Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Medeiros Neto, município também do extremo sul, Davino Oliveira Silva considera oportuna a realização da audiência, pois existe grande precarização do trabalho nos canaviais.


“Os trabalhadores sofrem com doenças ocupacionais, principalmente Ler/Dort, dermatoses e os sérios danos causados pela intoxicação por agrotóxicos. Também são acidentados, tendo pernas e braços mutilados em decorrência das ferramentas manuais, como os facões”, afirma.


Além disso, segundo Davino, os trabalhadores se submetem a um regime desgastante porque são designados a cortar e carregar uma média de 12 a 14 toneladas de cana-de-açúcar por dia, sem pausas para descanso, com uma jornada que começa às 5 e termina, na maioria das vezes, às 15h.


Edvandro Oliveira, assessor da Secretaria de Assalariados da Federação dos Trabalhadores em Agricultura (Fetag), aponta outros problemas enfrentados pelos trabalhadores. “As condições de transporte e alojamento são precárias, contribuindo para o cansaço, desmotivação e proliferação de doenças”, acentua.


Ainda de acordo com Oliveira, os trabalhadores temporários não têm direito a cesta básica - café da manhã, almoço e jantar -, sendo obrigados a pagar por cada alimentação, caso não consigam alcançar a meta de 13 toneladas/dia. Quando atingem a meta, recebem apenas 50% do valor da cesta básica.