Projeto do Parque Tecnológico é apresentado ao moradores do Vila Verde

24/11/2008

Um grupo de moradores do Conjunto Vila Verde, comunidade da Estrada Velha do Aeroporto, trocou o lazer e a novela da noite de sábado (22), para conhecer um projeto que pode mudar a vida de quem precisa de capacitação para o mercado de trabalho: a implantação do Parque Tecnológico de Salvador, cujas obras de infra-estrutura já foram iniciadas em um terreno da Avenida Paralela.


Por iniciativa da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), responsável pela execução das obras, o projeto está sendo apresentado aos moradores do entorno do Parque Tecnológico, o primeiro da Bahia.


A apresentação começou por Vila Verde, na sede do Clube dos Amigos da Vila. Nesta quinta-feira (27), às 18h, ocorrerá no Clube de Mães do Bairro da Paz, e em 4 de dezembro, às 9 h, no Colégio Nilton Sucupira, em Mussurunga.


No começo de 2009, um grupo de representantes das três localidades será submetido a um curso de capacitação, com noções de cidadania e de formulação de projetos sociais, dentre outros temas, para multiplicar a mobilização em torno das chances de geração de emprego e renda que serão oferecidas pelo TecnoVia.


Muitos moradores presentes na reunião jamais tinham ouvido falar em inovação tecnológica, pesquisa em C&T e empreendedorismo tecnológico, mas saíram impressionados com a apresentação feita pelo coordenador do projeto do Parque Tecnológico, Vinícius Santos, com o auxílio professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), João Rocha, que atua na mobilização da comunidade do entorno.


“É muito importante que a gente esteja unido e participando desse projeto. Por que o Rio Grande Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Pernambuco têm seus Parques Tecnológicos e a Bahia não pode ter? Vamos acompanhar, de perto, as obras do Par que e cobrar das autoridades, quando for preciso”, afirmou Maria Vera Lúcia Leal Vitória, representante do Clube das Mães de Vila Verde.


Expectativa


“Só acreditei que o projeto saiu do papel quando vi a placa indicando a construção, na Avenida Paralela. Para nós, vizinhos do empreendimento, é um projeto excelente, principalmente porque será implantado sem destruir a Mata Atlântica, uma preocupação de muita gente do entorno”, salientou o vice-presidente da Associação dos Moradores de Vila Verde, Perivaldo Ferreira Lima.


Na sua avaliação, agora é preciso preparar os jovens para participar ativamente da capacitação e para concorrer às oportunidades de emprego que serão oferecidas, no futuro.


Já o líder comunitário de Mussurunga, Aroldo Neilton dos Santos, observou que “o Parque Tecnológico é justamente aquilo que toda a comunidade carente do entorno da Avenida Paralela estava precisando”. O filho dele, Aroldo Júnior, preferiu apostar: “Estamos começando a conquistar nosso futuro”.


Edvany Xavier, Wellington Gomes e Valderez Maria de Jesus manifestaram interesse pelas vagas de trabalho que serão abertas, primeiro, com as obras de engenharia e, depois, com o funcionamento do Parque Tecnológico.


Também presentes na apresentação, Neli Oliveira Lima, Valnei Barreto Gomes e Rafael Roberto Santos, indagaram sobre os cursos de capacitação. “Gostei do que vi. Vou montar uma empresinha, a partir de janeiro e, quem sabe, possa trabalhar nas obras de construção do Parque”, afirmou Antônio Pereira Alves, encarregado de obras de uma empresa de construção civil, que já demonstra iniciativa empreendedora, ao planejar seu próprio negócio.


“Nosso objetivo é inserir a comunidade no processo de implantação do Parque Tecnológico, para que ela possa aproveitar as oportunidades que serão oferecidas. É claro que não podemos solucionar os problemas de toda a comunidade, mas o empreendimento vai representar uma porta aberta para todos que quiserem mudar de vida”, ressaltou Vinicius Santos.

Já o professor João Rocha observou que “é importante que a comunidade esteja interagindo com o Governo do Estado, porque a intenção é aproximar o Estado da sociedade civil”.


Consórcio de pesquisa e inovação tecnológica


O TecnoVia vai abrigar um consórcio de pesquisas universitárias, incubadoras e empresas de base tecnológica. O empreendimento será também um centro de convergência do sistema estadual de Inovação na Bahia, nas esferas pública, acadêmica e empresarial.


Ele está sendo concebido em três eixos ou vias - a da inovação (como instrumento de atração de empresas), a da tecnologia (esfera institucional de suporte à interação entre universidades e empresas) e a da ciência (estratégia de fortalecimento da produção científica local).


As três áreas escolhidas como prioritárias para o Parque Tecnológico - Biotecnologia e Saúde, Energia e Ambiente, e Tecnologia da Informação e da Comunicação - estão no foco de quase todos os parques tecnológicos do mundo, mas cada lugar prioriza as subáreas nas quais tenha mais potencial.


A gestão do Parque Tecnológico de Salvador seguirá o modelo predominante no Brasil, por meio de uma organização social (OS), com representação dos três segmentos - governo, empresariado e academia.


Serão R$ 100 milhões de investimentos públicos nos primeiros anos. O valor é a soma da participação da Prefeitura de Salvador, com a doação do terreno, recursos estaduais e federais. A previsão da Secti é que a iniciativa privada entre com outros R$ 65 milhões, com perspectivas de retorno financeiro vultoso.