Comunicado conjunto defende fortalecimento do diálogo entre países do Mercosul

Publicado: 16/12/2008 Última atualização: 05/10/2026 às 14:07

O fortalecimento do diálogo político entre os países da região e o significado histórico da realização, na Bahia, da Cúpula da América Latina e do Caribe sobre integração e desenvolvimento que reuniu, pela primeira vez, os chefes de estado dos respectivos países.


Esses são dois pontos destacados no Comunicado Conjunto dos Estados Partes do Mercosul e Estados Associados, documento divulgado, nesta terça-feira (16), pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, na Costa de Sauípe.


A criação dos Conselhos Sul-americanos de Defesa e de Saúde foi destacado pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, como grandes avanços da reunião da Cúpula Extraordinária da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), realizada, nesta terça pela manhã, na Costa de Sauípe.


Em entrevista coletiva, o ministro fez um breve relato das decisões ratificadas na reunião. "No caso do Conselho de Segurança será iniciado um trabalho de cooperação técnica e de uma base industrial para o setor. No da saúde haverá um intercâmbio de experiências de programas de saúde pública e de gestão dos recursos. Esses conselhos serão formados pelos respectivos ministros da defesa e da saúde de cada país integrante", afirmou Amorim.


O ministro adiantou ainda que o presidente Lula terá, nesta quarta-feira (17), dois encontros bilaterais. Primeiro, com o presidente do Equador, Rafael Correa, e depois com o do Paraguai, Fernando Lugo.


Castro diz que crise é injusta


A crise econômica mundial permeou quase todos os discursos dos chefes de estado. Uma das principais estrelas do encontro, em Sauípe, o presidente de Cuba, Raul Castro, afirmou que a crise atual é injusta, egoísta e representa interesses de grandes corporações internacionais, e que a integração econômica e a defesa do espaço regional são importantes para o enfrentamento dos "grandes obstáculos que essa crise criou para os países reunidos neste encontro".


Castro disse ainda que as prioridades dos países reunidos devem ser os investimentos em programas sociais e de infra-estrutura. "Cuba reafirma sua disposição solidária para trabalhar junto com os senhores para criar, como disse o José Martin, a Nossa América".


Já o presidente do Equador, Rafael Correa, defendeu a criação de uma moeda regional para as transações comerciais entre os países do Mercosul, com o objetivo de fortalecer a economia do continente.


Na avaliação de Correa, a resposta para a crise deve ser a integração traduzida em fatos concretos. Além da moeda regional, ele defendeu também a criação de uma "nova arquitetura financeira" para o bloco, com a implantação do Banco e do Fundo de Reservas do Sul.


"Deixando de utilizar o dólar nas nossas transações comerciais e passando a utilizar uma moeda regional, sem dúvida, estaríamos melhor preparados para enfrentar crises como essa. Ficaríamos menos vulneráveis a crises que têm suas causas nos países ricos", afirmou o presidente equatoriano que, ao final de sua fala, conclamou todos os chefes de estado a manterem uma política fiscal e os investimentos visando garantir a manutenção dos empregos.


Morales defende autonomia dos países O presidente boliviano Evo Morales também defendeu a autonomia dos países da América Latina e do Caribe frente aos países desenvolvidos.


Ele aproveitou o evento para elogiar a decisão do Mercosul e da Venezuela de absorver as exportações bolivianas que deixaram de se beneficiar de preferências tarifárias dos Estados Unidos. Disse ainda que medidas deste tipo impulsionam o comércio justo e permitem avançar para uma maior integração.


Também em entrevista coletiva, realizada no início da tarde desta terça, Morales saudou as decisões da reunião da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) de fortalecimento das relações diplomáticas entre os países membros e da soberania de cada país do continente. "As decisões dos países da Unasul agora serão tomadas sem nenhuma intervenção dos países do norte", afirmou Morales.


Em sua fala inicial, o presidente do Uruguai, Tabaré Vasquez, seguiu a mesma linha do presidente Lula e destacou que o fortalecimento da união entre os países membros do Mercosul será fundamental para se enfrentar as incertezas e os desafios que se apresentam para o próximo ano, com a crise econômica mundial.


Vasquez disse também se identificar com as palavras iniciais do presidente Lula sobre a preocupação econômica, social e política dos países da América do Sul com a atual conjuntura mundial.


"Gostaria também de destacar o trabalho do presidente Lula em divulgar e defender a unidade do Mercosul em todos os encontros e eventos internacionais. É, com certeza, a voz do Mercosul para o Mundo", disse Vasquez.