Apesar do saldo negativo de empregos (-1,18%) em dezembro de 2008, algumas profissões incrementaram as contratações na Bahia, quando foram criados 540 novos empregos de vigilante e 288 vagas de vendedor no comércio. O turismo interno foi destaque, ao contribuir com 192 novas vagas de camareiro de hotel, 171 de garçom e 148 de atendente de lanchonete.
Também chamou atenção o surgimento de 172 empregos de trabalhador na olericultura (raízes, bulbos e tubérculos), 148 de repositor de mercadorias e 141 de operador de telemarketing ativo e receptivo (141 vagas).
“O conjunto dessas informações de ocupações em alta, mesmo num contexto de crise, é de fundamental importância para o planejamento das ações em prol da manutenção do emprego”, explicou o diretor de Pesquisas da Superintendência de Estudos Econômicos da Bahia (SEI), José Ribeiro. Os dados analisados pela SEI são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), recém-fornecidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Comparando-se com o resultado nacional, a Bahia não sofreu tanto com o desemprego quanto o país, que reduziu em 2,08% o número de postos de trabalho, isto é, 654.946 empregos. Já o Nordeste seguiu a mesma tendência de perda, mas a contração foi menor, de 1,09% (menos 49.518 vagas).
Ocupações que mais demitiram
As ocupações que mais demitiram em dezembro foram as de servente de obras (-2.266), trabalhador volante da agricultura (-1.103), pedreiro (-948) e trabalhador no cultivo de trepadeiras frutíferas (-893).
No último mês de 2008, 15.225 pessoas perderam seus empregos na Bahia. O volume de demitidos foi superior ao registrado nos anos anteriores, por efeito da turbulência financeira, mas Ribeiro disse que dezembro sempre registra diminuição dos postos de trabalho com carteira assinada. Tomando como exemplo os três anos anteriores, todos tiveram redução das vagas: -5.791 empregos em 2005, -6.815 em 2006 e -3.944 em 2007.
Foram eliminados 5.040 postos de trabalho do setor agropecuário. Com mais intensidade, esta é a mesma tendência observada nos anos de 2007 (-3.320 vagas), 2006 (-3.620) e 2005 (-2.957). Este é o setor que mais sofre o efeito da sazonalidade no mês de dezembro.
Alguns segmentos da indústria de transformação, a exemplo da produção de alimentos e bebidas e indústria têxtil, também demitem no fim do ano. A indústria costuma alcançar o pico da produção e de demanda por trabalhadores nos meses antecedentes a dezembro, para ampliar os estoques de fim de ano e, após este período, a necessidade por mão-de-obra reduz.
Influência do ciclo escolar
Nos serviços, o ciclo escolar influencia diretamente na sazonalidade do emprego com carteira assinada. Em dezembro, alguns estabelecimentos escolares costumam desligar trabalhadores, sobretudo professores. No setor de serviços, o subsetor ensino aponta a eliminação de vagas no mês de dezembro: -1.381 em 2008, -1.273 em 2007 e -958 em 2006.
No setor, os desligamentos se concentraram nas ocupações de servente de obras de serviços (-259 empregos), de professor de nível superior do ensino fundamental da primeira à quarta série (-148) e professor da educação de jovens e adultos no ensino fundamental da 1ª à 4ª série (-141).