Mais um monumento histórico que integra o Conjunto Arquitetônico, Urbanístico e Paisagístico da Cidade de Salvador, área tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), está sendo recuperado com recursos oriundos do Programa de Desenvolvimento Turístico do Nordeste (Prodetur 2), alocados por intermédio da Secretaria de Turismo da Bahia (Setur).
Trata-se do Palácio Rio Branco, a edificação governamental mais antiga do Brasil, situada na Praça Tomé de Souza, no Centro Histórico de Salvador. O edifício, que apresenta sérios problemas estruturais devido à má conservação, será recuperado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac) no prazo de um ano, com recursos de aproximadamente R$ 5,6 milhões.
Ainda ocupado pela Fundação Cultural do Estado (Funceb), que está mudando de endereço por causa da reforma, o palácio tem aproximadamente 4,5 mil metros quadrados de área construída em dois pavimentos, e se encontra em estado precário, principalmente no tocante ao telhado, pisos e instalações elétricas e hidráulicas. Do total de recursos, R$ 4,2 milhões estão sendo repassados pelo MTur e R$ 1,36 milhões representam a contrapartida do Governo da Bahia.
Histórico
A mais antiga sede do governo da Bahia começou a ser construída em taipa de pilão, no ano de 1549, pelo primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa. Em 1663, o edifício, centro da administração portuguesa, foi reconstruído por ordem do rei D. Afonso VI e ocupado pelo governador-geral Francisco Barreto de Menezes.
Em 1850, abrigou Dom Pedro II, quando este veio à Bahia. No final do século XIX, quando ainda ostentava a velha fachada colonial portuguesa, símbolo da decadência na nova República, recebeu uma profunda reforma, passando a exibir um nobre e imponente estilo neoclássico, mais ao gosto francês.
Em 10 de janeiro de 1912, o prédio foi atingido pelo bombardeio efetuado na cidade, a mando do presidente da República Hermes da Fonseca, e ficou praticamente em ruínas. Reinaugurado em 1919, recebeu o nome de Palácio Rio Branco, em homenagem a um dos maiores estadistas brasileiros, o Barão do Rio Branco.
Pinturas que estão sendo restauradas nas paredes do edifício contam um pouco da história do imóvel que foi residência de governadores-gerais, reis, vice-reis, imperadores, presidentes de províncias e governadores do Estado Republicano, até a sua desativação como centro do poder executivo em 1979.