A dica para a resposta veio com o colorido das fantasias, no som dos tambores e nas coreografias dos 700 bailarinos, divididos em 15 alas, quase a metade dos 2.000 integrantes do bloco de itapuã, que comemora este ano 30 anos de história na avenida. Ao lado do nome Malê, o carro principal trazia no alto uma foto do presidente americano, Barack Obama.
“Fizemos questão de marcar os 30 anos do bloco com um questionamento, uma reflexão sobre o nosso papel,”, explicou o diretor de educação do Malê, Eduardo Santana, para quem não há dúvidas: “Queremos ouvir respostas, mas temos a nossa. Os blocos afros interessam a toda a sociedade brasileira, pela história, pela cultura, pela música, pela dança, pela indumentária”.
A apresentação do Malê combina com a denominação de desfile. O bloco passou com 15 alas temáticas, cada uma com suas fantasias e coreografias. Alas de baianas, de capoeiristas, de rastas, de guerreiros. O nome Malê foi criado em homenagem à revolta de negros mulçumanos , ocorrida em Salvador, em 1835.
Segundo Miguel Arcanjo, fundador e vice-presidente do bloco, esta tradição de alas vem das escolas de samba, que desfilavam em Salvador até o final da década de 70. Na formação original do bloco estavam também diretores da antiga escola de Samba Diplomatas de Amaralina, responsáveis pela concepção do desfile que deu ao bloco o título de campeão do Carnaval de 1980, ano de estréia na avenida.
A divisão em alas resolve também um problema logístico do bloco, que tem sede em Itapoá mas componentes nos mais diversos bairros de Salvador, desde Mussurunga até Paripe. Cada ala ensaia em separado no seu bairro. Só próximo ao Carnaval todos se encontram em Itapuã para ensaiar o “maior balé afro do mundo”.
Embora previsto para as 20h30, o desfile do Malê só começou às 23:30. Já passava da meia-noite quando deixou a passarela do Campo grande em direção ao Forte de São Pedro, quando entrou na avenida o bloco Bankoma, com seus atabaques e ritmos do Terreiro São Jorge Filho de Goméia , do bairro de Portão, em Lauro de Freitas.
Em seguida, passou o bloco Vem Sambar, puxado pelo sambista Carioca Dudu Nobre. Já passava da uma da manhã do domingo quando a chuva caiu forte. Mas a noite dos blocos afros apenas começava. Ainda estavam por vir a Didá, o Muzenza, o Coração Rastafari e o Ilê Aiyê.